A palavra mais apropriada que posso encontrar no dicionário brasileiro para definir o INSS é: es-cu-lham-ba-ção.
Assistindo ao depoimento de um servidor federal de carreira que passou pela presidência do INSS e também foi ministro da Previdência Social, estou estarrecido com o que o cidadão disse aos parlamentares da CPMI do INSS.
Simplesmente, nas suas declarações e em resposta às indagações dos parlamentares, o cidadão não demonstra desconforto ao afirmar que a instituição não possui nenhum controle interno ou condição de fiscalizar os descontos nos salários dos trabalhadores, aposentados ou pensionistas.
Eu, como servidor público aposentado tendo passado por inúmeros cargos administrativos na área da saúde, estou perplexo de como um organismo federal que cuida de mais de quarenta milhões de beneficiados e cujo orçamento anual para pagamento dos benefícios beira a casa do trilhão, perdeu totalmente o controle dos gastos e dos descontos efetuados. Misericórdia!
A omissão de organismos de estado como MPF, PF, TCU, Defensoria Pública da União, AGU diante de todos os roubos, desvios e grossa corrupção dentro do INSS são patéticas.
As sucessivas intervenções na legislação previdenciária na Câmara e no Senado alterando normas e diretivas de controle interno do INSS que facilitaram a mão boba de entidades associativas, sindicatos, empresas e gente mal intencionada nos cofres do INSS, são mais graves ainda.
Não há outra conclusão a se tirar que não a de que havia e ainda há um conluio, uma trama ou uma urdidura entre os organismos de controle e o parlamento federal no sentido tornar vulneráveis as portas dos cofres do INSS.
De um lado o parlamento aprova e altera leis para fragilizar o INSS do ponto de vista administrativo e de controle e, de outro, o próprio organismo previdenciário age de modo passivo ou omissivo e deixa de cumprir seu papel na defesa dos interesses dos aposentados e pensionistas. Credo!
Uma entidade pública do tamanho, da importância e do grau responsabilidade que carrega e que cuida da vida de dezenas de milhões de cidadãos mas que não consegue controlar benefícios, empréstimos, descontos e consignados nos contra cheques dos velhinhos aposentados e pensionistas, não deveria nem mais existir e, seus dirigentes mancomunados com gente do mal, deveriam ir para a cadeia.
É um quadro tétrico e lamentável de desvios administrativos, éticos e morais por conta de todas as ações omissivas e facilitadoras que romperam com os controles internos da entidade.
O INSS e nossos velhinhos aposentados e pensionistas vêm sendo vítimas há décadas de uma gente inescrupulosa e de uma quadrilha que sequestrou a entidade previdenciária para roubar e enriquecer de modo vil.
Causa mais espanto ainda que em plena era digital e tecnológica, a máquina administrativa do INSS funcione como no tempo do ronca em que a ação e a intervenção humanas ainda perdurem de modo a torná-la frágil e vulnerável às ações deletérias por parte de um bando de corruptos.
Quando estava pronto para enviar esse artigo para publicação, tomei conhecimento de que um ministro do STF(o terrivelmente evangélico) determinou que o maior implicado nessa roubalheira contra os velhinos do INSS, não está obrigado a comparecer à CPMI para ser inquirido.
Tô dizendo! Até tu STF protegendo bandidos? Misericórdia!
Té logo!
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