O cristão e a política

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on email
Share on print

unnamed

O assunto política é uma questão que, mesmo no meio secular, gera repulsa em muitas pessoas. No âmbito evangélico, então, levanta ainda mais algumas questões. Muitas pessoas ainda questionam a legitimidade da participação da Igreja em processos políticos.

Perguntas como: Poderá um cristão evangélico se envolver em política sem se contaminar com a política deste mundo? Poderá um cristão evangélico se envolver em política e manter a sua posição de seguidor de Cristo? Como envolver-se com política, sendo cristão legítimo e conseguir manter uma postura ética correta sem comprometer a imagem de cristão e os valores da Palavra de Cristo?

  1. Entendendo a Legitimidade da Política

O termo política é derivado do grego politikos (polis), que significa tudo o que se refere à cidade, citadino, público, social.

A política é uma atividade das instituições sociais que se origina na própria essência da sociedade, independentemente de sua institucionalização, visando o bem comum. Por conseguinte, visa favorecer o desenvolvimento integral da personalidade humana.

A política é, em certo sentido, a tomada de decisões através de meios públicos, em contraste com a tomada de decisões pessoais adotadas particularmente pelo indivíduo, e com as decisões econômicas, geradas como respostas a influências impessoais, tais como o dinheiro, condições do mercado e escassez de recursos.

  1. Entendendo a Legitimidade política na Bíblia

A Bíblia diz em Romanos 13:1-7: “Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”

O Apóstolo Paulo afirma que a autoridade civil é um instrumento de Deus para conduzir o cidadão para o bem e para fazer justiça aplicando penalidades a quem pratica o mal.

O Apóstolo Pedro, usando termos semelhantes, tem o seu pensamento unificado, alinhado ao de Paulo como escrito em I Pedro 2:13-17: “Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior. Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos. Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei.”

O sábio Rei Salomão disse em Provérbios 29:2: “Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme.”

Em meu entendimento, esses textos nos trazem uma conclusão tácita, categórica: a sociedade necessita de uma ordem política e essa ordem somente pode ser estabelecida pelos justos.

  1. Entendendo o papel do cristão na política da atualidade

Entendo ser de comum aceitação, tanto para os cristãos como para a sociedade comum o seu papel em relação ao serviço social, através do atendimento às necessidades humanas pelo exercício da atividade filantrópica visando ajudar o próximo em suas necessidades básicas. A questão que gostaria de levantar é a seguinte: O que é melhor fazer, caridade, suprir necessidade aqui e ali ou desenvolver uma ação político-econômica eficaz capaz de atingir a raiz do problema diminuindo as desigualdades sociais?

Na realidade, necessitamos tanto de serviços sociais quanto de uma ação social eficaz através de políticas públicas eficientes que respondam aos anseios e necessidades do povo da Cidade, da Nação.

Acredito que a omissão do cristão diante de tais apelos sociais, nesse fundamental campo da esfera humana, que aguarda uma resposta justa, competente, e diante da certeza do respaldo bíblico para esse tão relevante assunto, foge completamente às declarações do Senhor Jesus Cristo como a que encontramos em Mateus 5:13. “E não escutei a voz dos que me ensinavam, nem aos meus mestres inclinei o meu ouvido!”

Hoje em dia, como em nenhuma outra época, necessitamos de cristãos dispostos a pagarem o preço de ser sal da terra e luz do mundo e que atuem como sal para preservar a sociedade da degeneração advinda de uma sociedade distante de Deus e dos valores do Seu Reino.

Na verdade, quando Jesus utilizou essa metáfora, estava propondo uma ação cristã disposta a conservar valores e não incentivar uma omissão que somente contribui com a degeneração, já percebida diante de nós, em que a sociedade desliza acintosamente ladeira abaixo.

É preciso entender também que, para poder se exercer sua propriedade conservante, o sal precisa ser esfregado na carne a fim de impedir que ela entre em processo de decomposição.

Semelhantemente, os cristãos precisam urgentemente estar em contato com a sociedade no sentido mais amplo possível e em várias camadas para ações que visem impedir o processo de degeneração social. Para isso, o Senhor Jesus conta, com certeza, tão-somente com Seus seguidores que, firmados nos valores da Sua Palavra, entrarão nas fileiras daqueles que estão dispostos a serem “sal da terra e luz do mundo” (Mateus 5:13), tornando essa sociedade numa sociedade ideal.

Marcel Alexandre, apóstolo do Ministério Internacional da Restauração, vereador em Manaus no segundo mandato e um dos maiores ativistas do twitter na cidade.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta