“Naquela manhã eu acordei tarde de bode
Com tudo que sei, acendi uma vela abri a janela e pasmei
Alguns edifícios explodiam, pessoas corriam
Eu disse bom dia e ignorei
Telefonei pra um toque tenha qualquer e não tinha
Ninguém respondeu, eu disse: Deus, Nostradamus
Forças do bem e da maldade
Vudu, calamidade, juízo final, então és tu?”
Saí dos anos oitenta, mas os anos oitenta insiste em permanecer como tatuagem, despertando um idoso que habita em mim, ouvindo rock do bom, ou quem sabe, Jazz.
A cena mais genial e hilária dessa década de ouro, um divisor de água do rock brasileiro, foi Eduardo Dussek de cueca samba-canção e fraque no piano, cantando “Nostradamus”, no Festival da Canção em 1980 (MPB 80).
A música, uma obra-prima, é um relato bem-humorado de um sujeito que acorda de ressaca e percebe que o mundo está acabando. É o apocalipse, meu caro. Fantástico! Muito bem lembrado no livro “Do Rock ao Clássico” do jornalista Arthur Dapieve e em entrevista recente de Nelson Mota ao Podcast.
Feito essa singela lembrança e registro, é elementar meu caro, Sancho! “Bem se ver que não conhece nada de aventuras! Se tem medo, vá rezar, enquanto eu travo minha batalha.”
É tipo aquela história recente do pastor bolsonarista que, ao ser perguntado por uma ovelha do seu rebanho o que fazer diante das surras diárias de seu marido, lhe recomendou orar mais. Surreal!!
“Toma cuidado com o homem de um só livro”, já dizia São Tomás de Aquino.
De tatuzão em tatuzão, nesse complexo rapadura Cora Coralina, os hipopótamos de Pablito continuam soltos por aí, cuidado, colocaram em leilão até o chapéu do Napoleão. São Paulo está em liquidação!
“Quando vieram, eles tinham a Bíblia e nós a terra. E nos disseram: fechem os olhos e rezem. Quando abrimos os olhos, nós tínhamos a Bíblia e eles a terra”, simples assim, e assim também a humanidade caminha até hoje, desde 1.500. Invadindo terras, assassinado os seus donos, tudo em nome de Deus.
Mudar o mundo, meu amigo Sancho, não é loucura, não é utopia, é justiça!
Ensinamentos de Dom Quixote de La Mancha para seu fiel escudeiro nessa liturgia.
Em uma das tantas investidas, o fidalgo tascou: “Não fujam, covardes, em nome da dama Dulcinéia del Toboso, vou derrotá-los!”
Com a missão de ajudar os mais fracos, lutando com moinhos gigantes, salvando donzelas e fazendo valer as leis e normas da cavalaria, assim era Alonso Quijano, um apaixonado por histórias de cavalaria. Dom Quixote, o cavaleiro andante, é o nosso mais eloquente, bizarro e atual anti-herói.
Em seu delírio, vestido com armadura improvisada, nenhum cavaleiro andante teve a ousadia e a coragem de Dom Quixote, em suas desventuras.
Nesse elmo encantado, de surra em surra, desistir, jamais! O fidalgo lutou até com barris de vinhos, na estalagem onde se hospedara, sempre acompanhado de Sancho Pança que almejava a sua tão sonhada e prometida ilha, onde seria governador, ou até monarca.
Com o vinho derramado como se fosse sangue, deixou enormes prejuízos para o estalajadeiro, porém um grande legado para os amantes de aventuras e desventuras literárias.
Cervantes Saavedra na sua genialidade de Miguel, escreveu o maior, o melhor e o mais brilhante romance de ficção de todos os tempos, que foi lembrado por nomes como Dalí, Picasso, Portinari, Machado de Assis, Suassuna, Borges, Olavo Bilac, Câmara Cascudo, Monteiro Lobato, Hanna Barbera, Chico Buarque, Miguel Pacheco, Vô Heldomiro, entre outros.
Uma “exaltação ao conhaque” que fez o nosso genial Machado de Assis descrevê-lo em poema, o anti-herói de La Mancha.
Pontuando essas rápidas passagens de um clássico mundial e feito esse singelo registro, voltamos pro nosso quintal da insanidade com legados de Dussek e Cervantes.
Errando 90 questões no ENEM, jovem é manchete no noticiário de economia. Motivo: economizou conhecimento nas respostas!
Como diz Clarissa num post resgatado pela engajada e estimadinha, que também briga com “moinhos gigantes” do Google e redes sociais, Liliane Mantios: “tá chegando a época do recesso dos psicólogos, agora é cada um por si! Cuidado pra não perder o réu primário nessa fogueira santa de Israel, onde os indultos de Natal que beneficiaram o neofascista Daniel Silveira, são coisas do passado.”
Os patriotas agora defendem direitos humanos com assistência médica nas prisões, decisões judiciais céleres pra beneficiar os detentos do 8 de janeiro, presunção de inocência, prisão só depois de transitado em julgado. Acredite se quiser!
O capitão deles sempre classificou direitos humanos como “esterco da vagabundagem”? E agora, José?!
Não sei, só sei que foi assim: uma vez o ladrão teve que comprar o roubo de volta, pra devolver pro dono!
E, já que o Amazonas pode reivindicar direitos e Royalties da Amazon pelo uso do nome, Minas Gerais também pode! Vai enfiar a faca de cortar torresmo no peito da Uber, pra reparar direitos de propriedade de Uberlândia e Uberaba, não é, governador EnfiZEMA?!
Cada uma, desses bolsonaristas. Depois falavam que a Dilma queria estocar vento!
A terra plana capotando. Como diz Dom Ernesto: “é de cair o cu da bunda mesmo!”
Palestina livre! EUA e Israel estados assassinos!
*Apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco.
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