Na tentativa de limpar a imagem, desgastada pelos altos preços praticados e pela suspeita de formação de cartel, Grupo Atem manda donativos para o RS

Com a imagem desgastada por ser resposável pelos maiores preços dos combustíveis do país e na mira do Ministério Público pela suspeita de formação de cartel, o Grupo Atem, responsável pela produção, distribuição e venda de gasolina, diesel e etanol na região, anunciou ontem que decidiu se unir ao esforço conjunto de voluntários, ONGs e empresários no auxílio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, colocou pouco a mão no bolso e preferiu sensibilizar as empresas, colaboradores e clientes a destinarem 18 mil litros de água potável, colchões, roupas, agasalhos, cobertores e itens de higiene pessoal. 
 
As doações foram arrecadadas em postos de combustíveis bandeirados Atem e na Sede Administrativa do grupo. Trezentos colchões estão sendo adquiridos pela própria companhia, junto a lojas no Paraná, para facilitar a logística de entrega às cidades gaúchas. As empresas do grupo também doaram 18 mil litros de água potável. Uma ínfima colaboração para o grupo que tem um lucro exorbitante.
 
“Nossas empresas, colaboradores e também os clientes dos postos bandeirados estão unidos aos brasileiros que, de todas as partes do Brasil e do mundo, estendem as suas mãos ao Rio Grande do Sul, transformando a adversidade em uma poderosa corrente de ajuda humanitária, esperança e resiliência”, disse Paula Vieira, Diretora de Marketing, Comunicação e ESG do Grupo Atem. 
 
Os itens de ajuda humanitária arrecadados em Manaus foram repassados na segunda-feira à Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-Manaus), que montou uma logística para arrecadação e organização das doações, e estreitou parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB) para o envio. Nem pelo transporte o Grupo Atem quis se responsabilizar.
 
De acordo com Paula Vieira, a parceria firmada com a Ulbra-Manaus tem como objetivo facilitar o envio dos itens diretamente aos pontos de distribuição da ajuda humanitária, organizados pela universidade no Rio Grande do Sul. 
 
Ulbra se empenha

Conforme o reitor da Ulbra Manaus, Evandro Brandão, a instituição vem organizando e enviando doações à população desabrigada desde o início da tragédia. “Estamos com aproximadamente 7 mil pessoas abrigadas no Campus da Ulbra-Canoas-RS, além de milhares de animais que estão sendo cuidados por lá. Em nossas 22 unidades pelo Brasil estamos arrecadando materiais, podendo contar com parceiros importantes como o Grupo Atem. Estamos felizes em ajudar nesse momento delicado”, afirmou. 
 
As enchentes que atingem o Rio Grande do Sul desde o final de abril de 2024 são a maior catástrofe climática da história do estado, afetando 2,3 milhões de moradores. Até o momento, foram confirmadas 157 mortes e milhares de pessoas estão desabrigadas. 
 
As fortes chuvas começaram no dia 28 de abril e se intensificaram nos dias seguintes, resultando em inundações severas em diversas regiões. O volume de águas foi extremamente elevado, com áreas registrando entre 500 e 700 mm de precipitação, o que equivale a um terço da média anual do estado. 
 
Rede de Solidariedade 
 
A catástrofe mobilizou uma vasta rede de voluntários e organizações para ajudar as vítimas. A comunidade internacional tem demonstrado solidariedade. O Secretário-Geral da ONU expressou condolências e ofereceu apoio às vítimas e ao governo brasileiro. 
 
Mais de 4 mil voluntários se cadastraram para colaborar nas operações de distribuição de mantimentos organizadas pela Defesa Civil. Eles trabalham em centros logísticos, como o localizado na antiga sede da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), em Porto Alegre, onde ajudam a organizar e distribuir cestas básicas para os afetados.

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