Morte estúpida e a estupidez das atitudes

Pra morrer basta estar vivo! diz uma frase lugar comum do dito popular.

Todo dia se morre e se mata. Isso é quase rotina no dia a dia de um país manchado pela violência urbana onde trânsito, drogas, pobreza, desemprego, desavenças, onde se misturam uma série de variáveis relacionadas com a insegurança e o crescimento desordenado, em um país desigual para os seus e para os que aqui desembarcam.
A morte violenta de um refugiado congolês no Rio de Janeiro prova claramente essas nuanças próprias de um estado e de uma cidade onde campeiam a desordem social, o mandonismo do submundo das drogas e das milícias e sobretudo a ausência de um estado derrotado e frouxo para com o crime organizado como o é o outrora lindo Rio de Janeiro.
Versões até aqui amplamente disseminadas por uma mídia ávida por julgar e condenar antecipadamente, construir heróis e dourar as vítimas antes mesmo que os organismos policiais e judiciais concluam o caso esclarecendo e definindo as motivações, diz que a vítima da vez queria apenas receber sua paga por um trabalho executado.
Depois, constroem-se narrativas outras em que jogam no liquidificador componentes sociais, discriminação, intolerância, ódio e xenofobia.
Em seguida surgem as instituições defensoras dos direitos sociais e humanos impondo uma “verdade” em que se antecipa um veredito onde se incriminam os parlamentos pela falta de leis e mecanismos sociais de proteção, os governos pela falta de políticas públicas, a sociedade pela indiferença para com os refugiados e principalmente ideologizam um crime que parece mais que corriqueiro na rotina de uma cidade dominada pelo medo.
Para completar esse caldo de cultura indigesto, vem a prefeitura do RJ criminaliza e penaliza o dono do empreendimento onde se deu o crime brutal e endeusa a família da vítima entregando a ela uma licença para administrar o empreendimento.
Foi um movimento e uma medida politiqueira das mais toscas protagonizada pelo prefeito da cidade, mais interessado em capitanear votos do que propriamente ajudar uma família de refugiados em prantos.
Quantas famílias cariocas necessitadas ganham essa oportunidade que cai do céu? Quantos pequenos empreendedores brasileiros que aguardam anos a fio por uma chance parecida, são presenteados dessa forma?
Mas não! O que se percebe são tudo e todos construindo inocências e condenando por antecipação os agressores que merecem sim pagar pelo crime cometido, porém, que tudo se dê pelos meios legais na polícia, no Ministério Público e na justiça.
Nosso país é pródigo em casos similares e geralmente não é nada bom o resultado a que se chega, ora quando se encarcera o inocente, ora quando se endeusa demais a vítima.
Longe de mim relativizar um crime ocorrido com toda a selvageria cometida, posto que os assassinos já foram identificados e estão presos.
Entretanto, há que se aguardar os desdobramentos do caso com a oitiva de testemunhas, perícias, históricos dos criminosos e da vítima e sobretudo as motivações.
O que não se pode aceitar é que entidades e a parte da mídia notórias por fazer estardalhaços e antecipar resultados, elucubrem e imponham a sua verdade.
Deixem o corpo do congolês em paz e resistam à velha e batida tentativa de exumar perpetuamente os cadáveres de vítimas de crimes comuns, que ao que parece, estavam no lugar errado, na hora errada e acompanhado de gente errada.
Nosso país construiu-se e forjou-se no último século graças aos imigrantes, refugiados de guerra e cidadãos estrangeiros que para cá vieram em busca de trabalho, paz e esperança no amanhã.
Não passarão, aquelas tentativas de transformar um crime brutal porém comum, em um fato com contornos ideológicos ou de intolerância.
A prudência nos manda aguardar as investigações para que, aí sim, se formem juízos de valores a partir dos julgamentos na foro adequado que é a justiça.
Té logo!

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