Marcelo Ramos: da extrema esquerda à direita, sem nenhuma coerência ideológica

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on email
Share on print
Marcelo RamosFoto: Diego Janatâ/Em Tempo

Quando as urnas abriram no primeiro turno da eleição estadual de 2014, duas surpresas saíram delas: a derrota de Eduardo Braga em Manaus e a votação surpreendente do ex-deputado Marcelo Ramos. Veio o segundo turno e a diferença entre o governador José Melo e o atual ministro foi quase igual à quantidade total de votos do jovem político. Houve quem afirmasse que o candidato do PSB definiu a eleição. Pois bem, decorrido menos de um ano, o agora candidato a prefeito foi de um extremo ao outro e se vai se filiar ao PR do deputado Alfredo Nascimento.

Ramos jogou fora praticamente tudo o que conquistou em 2014. Àquela altura notabilizou-se por adotar um discurso moderno, desatrelado da política tradicional. Conquistou principalmente a juventude. Seu passado de militante comunista já nem era mais comentado. Seguiu-se, então, uma sequência de erros.

O primeiro grande erro foi declarar voto ao governador José Melo no segundo turno daquela eleição. Ali sua independência começou a ser arranhada. Depois do pleito, aproximou-se ainda mais do grupo governista.

O segundo erro foi brigar com o partido que lhe deu palanque, o PSB. Ramos tentou assumir o comando da legenda e só não conseguiu por causa da forte amizade do então presidente nacional, Eduardo Campos, com o presidente de hora no Amazonas, Serafim Corrêa. Ficou, entretanto, uma mágoa, que se evidenciou no início deste ano, quando o ex-deputado abandonou a legenda.

O terceiro erro foi “colar” no prefeito Artur Neto no início deste ano. Ficou perto demais a ponto de se estranhar sua postura atual, de oposicionista ferrenho.

Depois disso o que se viu foi um verdadeiro samba do político doido. Ramos saiu à caça de um partido, percebendo que a Rede Sustentabilidade, corrente que abraçou em 2014, não conseguiria o registro a tempo de disputar a eleição municipal de 2016. Sentou para negociar com todo mundo, sem a mínima coerência política ou ideológica. Tentou tomar de assalto a direção regional do PDT e do PRB. Flertou com o DEM e o Solidariedade. Piscou para o PV. E acabou no PR.

Qual a justificativa da escolha? Ele tentará explicar isso no sábado, durante a solenidade de filiação. O fato é que Ramos perdeu a aura de novidade, de nova e promissora liderança. E isso já se reflete em pesquisas como a do Instituto Diário, divulgada esta semana.

Ramos quis repetir Hissa Abraão, seu desafeto. Mas mostrou que está longe deste último. O atual deputado federal foi inteligente o suficiente para corrigir rumos, superar as “queimações” e manter a preferência de uma faixa do eleitorado que o adotou como uma opção de futuro, sem jamais mudar de partido. Está bem posicionado para disputar com chances a prefeitura de Manaus no ano que vem.

O ex-deputado provou nestes últimos onze meses que ainda tem muito o que aprender. E que ninguém fica impune depois de, em tão pouco tempo, ir da extrema esquerda à direita, sem qualquer coerência ideológica.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta