Malandragem universitária

Na minha vida escolar em todos os níveis de ensino, fui aluno CDF tempo em que faltar a um dia de aula ou deixar de assistir uma disciplina era a suprema agonia.
Parte dessa época, enquanto estudante universitário, fui professor de colégio secundário e de cursinho pré vestibular.
Portanto, ter estado nos dois lados e experimentado uma e outra situação, é tarefa das mais fáceis escrever sobre o tema deste artigo.
O ensino superior no Brasil tem enfrentado uma escalada positiva tanto no setor público mas, especialmente, no setor privado especialmente na expansão e na oferta de muitos e novos cursos.
Cada vez mais uma leva não desprezível de jovens têm acesso ao ensino superior seja para que modalidade de profissão for, permitindo com isso, que a competição no mercado de trabalho avance acirrada e dê oportunidade aos mais bem preparados.
Em meio a essas constatações desabou sobre o ensino público e privado no Brasil, carregada pela pandemia, uma nuvem espessa de dúvidas e de problemas pela paralização do calendário acadêmico.
Sem imunização, sem segurança sanitária adequada e sem o preparo das gestões para lidar com essa terrível novidade, a saída foi fechar as portas das escolas secundárias e das universidades.
Desde então, centenas de milhares de estudantes em todos os níveis escolares, vêm vivenciando uma experiência dramática que é a de ficarem confinados em casa, sendo que muitos destes, sem acesso às tecnologias e sem rede de internet em casa, acabam por perder boa parte da vida de estudantes e ainda causam gravíssimos problemas de convivência familiar.
Veio a vacina, vieram as oportunidades de reabertura estampada nas atividades comerciais e de lazer, retornaram as viagens, abriram-se as relações sociais porém, as universidades públicas brasileiras resistem ao retorno ao novo normal.
Logo as universidades públicas de uma pais desigual, repleto de carências sociais e econômicas, em que é vital que os estudantes de todos os níveis e muito especialmente os universitários, retomem as atividades e se encham de esperança por um futuro melhor.
Mas qual a causa dessa teimosia dos gestores, dos professores e das entidades estudantis das universidades públicas resistirem à retomada das aulas?
Primícia de tudo, nossas universidades públicas foram tomadas de assalto por uma horda de dirigentes aliados à expressão mais retrógrada da esquerda.
Reitores e pro reitores, conselhos universitários, diretórios estudantis e toda a estrutura acadêmica, tudo tomado de assalto por ideologias e estratégias esquerdistas.
Onde deveria vicejar a ciência e imperar o bom senso permitindo com isso o retorno às aulas e demais atividades próprias da vida universitária, tudo emperra e nada anda.
Nunca na história desse país professores das universidades públicas ganharam salários tão polpudos e acima da média do mercado.
Jamais em tempo algum as universidades públicas dominaram tanto os espaços de debate e de posicionamento em questões da vida científica, política e social do país.
Entretanto, professores e dirigentes estudantis, agem como verdadeiros ditadores e dominam a resistência contra a retomada do calendário de aulas e demais atividades, impondo aos estudantes sedentos por aulas, um infindável suplício confinados em casa.
Gestores e professores continuam a receber régios salários e malandramente se recusam a por os pés em sala de aula alegando, entre outras desculpas, uma tal insegurança sanitária mesmo que grande maioria dos docentes e discentes já se encontrem imunizados.
Essa discussão sobre a volta das aulas deixou de ser uma simples questão sanitária e passou a ser dominada também por elementos ideológicos e partidários o que empobrece e reduz a pó todo o tecido universitário público do nosso país.
Penso, que acima da lógica por uma discussão saudável que circunscreva esse tema, exista um alvo preferencial a ser atingido por essa cambada de gestores e dirigentes estudantis universitários irresponsáveis, e na periferia desse embate, quedam-se, abatidos, os alunos que só querem continuar seus estudos.
Se pensamos numa nação soberana que seja economicamente próspera, socialmente justa, cientificamente preparada e politicamente saudável, temos que repensar igualmente que a tal autonomia universitária precisa de freios e contrapesos para se pôr fim à malandragem universitária que infelicita a vida estudantil e impede o avanço de um país sedento por mão de obra qualificada.
Té logo!

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