Mais doentes, inclusive Bolsonaro e Arthur

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A pandemia continua crescendo no Brasil e no Amazonas. Até 6 de julho já tinha atingido 1.623.284 pessoas no Brasil e 65.487 mortes. No Amazonas, são 76.427 casos e 2.938 mortes. Quase 3 mil pessoas perderam a vida e todo dia há registros de mais pessoas infectadas. Agora, até o presidente Bolsonaro e o prefeito de Manaus, Arthur Neto, também confirmaram que estão com o novo coronavírus.

Nas redes sociais, muitas brincadeiras estão sendo veiculadas, lembrando o que Bolsonaro disse sobre a doença ser apenas uma “gripezinha”, que ele teria “histórico de atleta”, por isso não seria contaminado e, lamentavelmente, falou que o “destino de todos é morrer”. Disse ainda: “eu não sou coveiro”, quando questionados sobre o número de mortes devido à doença.

Primeiro, quero dizer que eu torço para que o presidente se recupere e volte a ter saúde, assim como desejo o mesmo a todos os brasileiros e amazonenses doentes devido à Covid-19. Mas não podemos deixar de lembrar que a irresponsabilidade do Bolsonaro, ao negar a gravidade da doença, ao negar a importância das medidas de distanciamento social e de proteção, contribuiu para aumentar a pandemia e as mortes.

Dias atrás ele vetou os artigos de lei que tratava do uso obrigatório de máscaras em Igrejas, templos, estabelecimentos comerciais, indústrias e, até mesmo, em escolas e universidades. Atitude desumana e falta de amor ao povo e à vida.

O governo Bolsonaro pouco ajudou o Amazonas a enfrentar a doença. Poucos recursos foram repassados. Os indígenas estão aguardando as medidas de auxílio emergencial há meses. O projeto de Lei 1.142/2020, onde sou coautor, aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, até hoje não foi sancionado. Enquanto isso, até o dia 4 de julho, 426 indígenas morreram e 11.385 foram contaminados pela doença, atingindo 124 povos indígenas, conforme o Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB. O Amazonas, com 162 mortes, é o estado com maior número de vítimas, conforme a APIB.

Aqui em Manaus, o comércio está quase totalmente aberto, com a última etapa de liberação autorizada pelo Governo, com o funcionamento de cinemas, escolas e faculdades particulares, dentre outros. Ainda faltam as escolas e faculdades públicas, bares e casas de shows. Percebe-se que muita gente está usando máscaras, mas tem muitos acreditando que a doença já acabou. Não é o caso. Nos últimos sete dias foram 6 mil novos casos e 115 mortes no Amazonas. É muita gente. No interior do estado tem 62% dos casos registrados.

Em Manaus, o dono da empresa Samel disse esta semana, em vídeo, que acabou a doença na cidade.  Não é verdade. O próprio prefeito de Manaus está doente com a Covid-19, mas não confiando na saúde do Estado. Ele não foi para a Samel, não foi para o Hospital Delphina Aziz. Passou poucos dias no Hospital Adventista e agora se internou no Sírio Libanês, em São Paulo.

E falando de Samel e Prefeitura, é necessário verificar essa “parceria” feita pelas duas instituições, pois seria um hospital de campanha com recursos federais de P&D, aplicados por uma empresa incentivada. Foram adquiridos equipamentos e materiais, e no final gerou um conflito entre as partes, quando as Forças Armadas queriam levar os equipamentos.

Dessa forma, os governantes precisam levar em contas as orientações dos especialistas na saúde. Não podemos brincar com essa doença, que não tem cura nem vacina preventiva.  A maior preocupação é o retorno às aulas nas escolas públicas. Não vamos nos precipitar, pois depois será muito tarde, com uma nova onda de contaminação.

Manifesto minha solidariedade às famílias de todas as vítimas fatais do novo coronavírus no Brasil e no Amazonas. Desejo plena recuperação às milhares de pessoas que ainda estão doentes. Da mesma forma, desejo a recuperação do Bolsonaro e do prefeito Arthur Neto, pois nosso coração é movido pelo amor e solidariedade. E não pelo ódio, violência e descaso propagados pelo presidente da República e seus seguidores.

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