Juca (1)

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Das muitas reminiscências da juventude que carrego na memória, uma traz recordações imorredouras porquanto vivida plenamente no auge do surgimento dos grupos ou movimentos de jovens em Manaus, particularmente no meu amado bairro da Cachoeirinha, no início dos anos de 1970.

Tentarei, em dois artigos, descrever o que foi essa fase áurea da juventude de Manaus e, contarei com a ajuda, do meu amigo/irmão Aluysio, amizade que já ultrapassa meio século de existência.
Tudo começou com a chegada à paróquia de Santa Rita de Cássia, vindo do estado do Espírito Santo, de um jovem sacerdote Agostiniano.
Formador por excelência, conselheiro e incentivador, Frei Laurindo era um daqueles sacerdotes apaixonado pelos jovens.
Com ideias revolucionárias para época, mas, maravilhosas para nós paroquianos, inicialmente o novo pároco determinou-se em conhecer a realidade social, cultural e econômica das famílias do bairro e, a partir daí, estabelecer um plano paroquial de evangelização onde, atrair os jovens a praticar a fé católica à luz do evangelho, era o foco principal.
Sob a orientação de Frei Laurindo, esse extraordinário sacerdote, realizou-se uma pesquisa em todas as casas para levantar a realidade social, cultural e econômica de cada família a fim de estabelecermos as estratégias de evangelização.
Após conhecer todo o bairro física e socialmente, dividiu-o em pequenas áreas, espécies de diaconias, para melhor desenvolver as pastorais da Igreja.
Disto, resultou a escolha de algumas famílias por áreas, onde se implantariam centros de estudos bíblicos, ou Círculos Bíblicos, onde se praticaria sobretudo o aprendizado da Palavra de Deus como fontes de formação catequética para os paroquianos, principalmente os mais jovens.
Foi, a partir de um dos Círculos Bíblicos destes, que funcionou na residência das saudosas lideranças católicas nas pessoas do senhor Aluysio Silva e sua esposa Inês Liney, que deu-se origem ao Grupo de Jovens JUCA-Juventude Unida Com Amor.
O grupo reunia uma vez por semana, no início, às quintas feiras à noite.
As reuniões programadas com músicas, esquetes(espécie de teatrinho) e muita oração, espontânea no início e no fim, visavam a aumentar a intimidade do jovem com a figura de Jesus Cristo e a fé católica.
Tínhamos por guia um livreto que nos orientava de como realizar as dinâmicas das reuniões e os debates.
Essa interação ajudava a revelar e a desenvolver os talentos nos jovens participantes cuja idade variava de quinze a vinte anos.
Deste grupo floresceram muitas lideranças religiosas, músicos, professores, e, a aceitação foi tamanha, que logo o espaço ficou pequeno para abrigar a quantidade de jovens nas reuniões.
Não tardou muito para que a implantação de grupos de jovens na paróquia ganhasse uma dimensão muito além do esperado, não somente, pelo compromisso do nosso padre formador mas, sobretudo, pelo entusiasmo que se assomou de boa parte dos jovens os quais, em menos de um ano, já contavam com pelo menos meia dúzia de grupos em toda a paróquia.
Foi, a partir daí, que se pensou em criar novos grupos mais próximos das residências dos jovens nas outras áreas da paróquia, como forma de conquistar mais jovens para a fé e para a missão pastoral.
Desta forma nasceram os grupos de jovens JOCA-Juventude Organizada Com Amor, que funcionava na rua Manicoré na residência da Senhora Dirce Bentes e o MRC-Movimento de Renovação Cristã que funcionou na casa do casal senhor Antônio Maciel e sua esposa Terezinha na rua Carvalho Leal.
Esses grupos cresceram rapidamente, despontando com muitas e comprometidas lideranças, e, somando-se aos líderes do JUCA, criaram novos grupos de jovens envolvidos igualmente nos movimentos e pastorais arquidiocesanas como o TLC-Treinamento de Liderança Cristã, MOJAC, MOTOCA, etc.
Os jovens participantes do grupo passaram a atuar nos atos litúrgicos das missas e festas religiosas, outros, como eu, na catequese de crianças  e jovens, outros na perseverança de adolescentes e alguns na preparação para o crisma.
Havia ainda um forte envolvimento com a realização de quermesses ou arraiais para fins de arrecadação de recursos para manutenção das atividades pastorais e sociais paroquiais.
Uma dessas comunidades menores que despontava como foco e crescente surgimento de lideranças, se baseava na Capela de Santa Cecília à rua J. Carlos Antony.
Em épocas de carnaval ou na semana santa, os jovens se reuniam em grupões a fim de fazerem retiro de formação espiritual. Pensem numa coisa de tremendo crescimento interior! Pensem também numa santa algazarra que eram esses encontros, avidamente aguardados por todos os jovens e também pelos nossos orientadores espirituais!
Éramos mais ou menos uma meia centena de jovens divididos em todos os grupos, a maioria, estudantes secundários, alguns dos quais inclusive, seguiram a vocação sacerdotal.
Hoje, todos sessentões, pais, avós, profissionais liberais, militares, servidores públicos, aposentados, diáconos ou cristãos engajados nos movimentos e pastorais da igreja católica.
Lembrar de todos seria um exercício quase impossível porém, outro dia, criamos um grupo de WhatsApp e fomos à caça dos contatos para inseri-los no grupo chamado de JUCA-O reencontro.
Estão lá o Aluysio e seus manos Ceiça e Zé Alfredo, o Genesio e sua mana Ielva, a Arlene, a Lucinha, o Paulo César-Dó, a Iranir, a Gracinha e sua mana Anabella, a Leidimar, a Lucilene, o Luís Marinho, a Márcia, o Roberto, a Vadely e a Fátima.
Há ainda outros tantos que aos poucos vão sendo encontrados e adicionados ao grupo.
Estamos trocando mensagens, relembrando momentos marcantes e já acertando uma primeira reunião virtual para em seguida promovermos o primeiro encontro presencial depois de quase quarenta anos de distanciamento.
Deus, na sua infinita e providencial misericórdia, permitiu que retomássemos, por enquanto, as lembranças, mas, há igualmente de permitir, que realizemos um encontro quem sabe nos moldes daqueles que fazíamos no vigor da nossa bela e abençoada juventude pelo que aguardamos ansiosamente esse reencontro.
Entusiasmo não nos faltam! Alegria no coração é fato concreto!
Que logo, logo, possamos realizar esse reencontro, nos abraçarmos, nos beijarmos, confraternizarmos e trocarmos muitas e muitas boas e santas recordações daquele tempo de ouro da nossa juventude.
Não posso esquecer dos que já partiram definitivamente e deixaram saudades como o Zecão (que retratei no artigo que é o prólogo do livro que lancei) e o Luiz Carlos-Bentinho, entre outros que não me recordo.
Anos depois da criação e disseminação dos muitos grupos de jovens na nossa paróquia, tivemos uma ideia desafiadora.
Como haviam muitos talentos entre os jovens que cantavam nas missas e alguns tinham também queda para instrumentos musicais, alguém resolveu sugerir a realização de um festival de música cristã, o inesquecível FMC, que cobrisse toda a arquidiocese de Manaus.
Mas isso será tema para o próximo artigo.
Té logo!

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