Grupo Bringel espera receber R$ 278,3 milhões do Estado

As empresas do Grupo Bringel esperam receber R$ 278,3 milhões do Governo do Amazonas, segundo levantamento do site no portal da transparência do Estado. A maior parte da dívida, de 2014 a 2017, foi judicializada e está sendo discutida na Justiça Estadual. Mais da metade, R$ 159,4 milhões, foram de contratos na administração do ex-governador José Melo (PROS).

Segundo a coligação “Eu voto no Amazonas”, do candidato Amazonino Mendes (PDT), o grupo Bringel apoia a campanha eleitoral do candidato ao Governo do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Este tem colocado uma peça publicitária no ar listando os contratos do conglomerado com a administração atual.

As empresas do grupo Bringel, que cobram dívidas do Estado na área de saúde, são a BP Esterilização, a Norte Ambiental e a Bioplus. No governo Melo (2014-2917), A BP alega que tem a receber R$ 15,5 milhões; a Norte Ambiental, R$ 40,8 milhões e a Bioplus, R$ 102,9 milhões, totalizando R$ 159,4 milhões. Do período de governo do deputado David Almeida (PSB), de cinco meses, o grupo alega que o Estado lhe deve R$ 25,8 milhões. Na gestão atual, R$ 93 milhões.

De acordo com a assessoria do Governo do Amazonas, os contratos ainda em vigor com as empresas do grupo Bringel foram repactuados, gerando uma economia de até 49%. A assessoria informa ainda que, em relação às dívidas cobradas pelo conglomerado, a atual gestão realiza auditoria e só pagará por serviços efetivamente realizados.

Toda a polêmica em torno do grupo empresarial surgiu depois que o empresário Sérgio Bringel, principal acionista, foi preso na Operação “Cash Back”, deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da “Maus Caminhos”, que investiga, desde 2016, fraudes e desvios de verbas públicas na Saúde do Estado.

O grupo Bringel foi um dos maiores fornecedores de serviços hospitalares para a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) e é responsável pela coleta de lixo hospitalar, equipamentos hospitalares, sistema de gestão de hospitais e esterilização de materiais em diversas unidades de saúde da capital.

De acordo com a Polícia Federal, a Operação “Cash Back” investiga a prática de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa no governo de José Melo. Os delitos, segundo a PF, foram praticados por empresários que forneciam produtos e serviços à organização social (pessoa jurídica sem fins lucrativos) Instituto Novos Caminhos, não alcançados na primeira fase da operação “Maus Caminhos”.

A PF apurou que, dentre as fraudes identificadas, o modus operandi utilizado pela organização criminosa para desviar recursos públicos consistia na realização de pagamentos superfaturados, em preço e/ou quantidade, com a posterior devolução de parte do valor pago. Por essa razão, o nome da operação faz alusão ao modelo de compras que devolve parte do dinheiro dos contribuintes.

De acordo com notícia publicada pelo jornal A Crítica, em 12 de outubro deste ano, o Grupo Bringel tinha contratos de R$ 216 milhões com o Governo do Amazonas e um contrato de R$ 558 mil, pela empresa Doc Security,  com a Maternidade Moura Tapajós, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), para serviços de arquivos.

DÍVIDA DA SUSAM COM O GRUPO BRINGEL

Governo AMAZONINO MENDES (OUT/2017-OUT/2018)

BP ESTABILIZAÇÃO:
R$ 23.599.387,00

NORTE AMBIENTAL:
R$ 10.798.047,96

BIOPLUS:
R$ 58.655.260,19

Total: R$ 93.052.695,15

Governo DAVID (2017)

BP ESTERILIZAÇÃO:
R$ 10.114.023

NORTE AMBIENTAL:
R$ 3.628.709,02

BIOPLUS:
R$ 12.087.198,22

Total: R$ 25.829.930,24

Governo MELO (2014-2017)

BP ESTERILIZAÇÃO:
R$ 15.599.387,00

NORTE AMBIENTAL:
R$ 40.897.707,67

BIOPLUS:
R$ 102.933.986,28

Total: R$ 159.431.088,95

Total geral: R$ 278.313.714,34

OBS: As dívidas de 2014 a 2017 estão judicializadas.

Fonte: Portal da Transparência do Estado

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