As chuvas que caem em Manaus desde o final de dezembro repetem-se a anualmente na mesma época. A diferença este ano é a volta das alagações em várias áreas da cidade, principalmente na zona Sul da cidade, onde isso não ocorria desde que o então governador Eduardo Braga encarou o desafio de mudar a paisagem local com o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus, o Prosamim.
Áquela altura, mais de 60 mil famílias foram removidas de áreas de risco, os igarapés foram canalizados e as alagações interrompidas. Os governos Omar Aziz e José Melo, entretanto, praticamente abandonaram o projeto, mantendo apenas pequenas intervenções em pontos como a orla de São Raimundo, onde não existe uma tradição de alagamentos.
O resultado é o que está se vendo principalmente na área do Distrito Industrial e do Igarapé do 40. As alagações voltaram com força e o trabalho sobra para a Prefeitura de Manaus.
As equipes da Defesa Civil de Manaus estão nas ruas atendendo as ocorrências registradas na manhã e início da tarde desta sexta-feira, 13, por conta das chuvas de inverno. Até às 16h, foram 13 chamados na central de emergência 199, com destaque para três deslizamentos de barranco nos endereços: rua 15 de Janeiro e rua Tiradentes, no bairro Mauazinho, zona Leste, além de outro na rua Presidente Kennedy, na comunidade Parque Mauá, Distrito Industrial. Não houve registro de vítima lesionada.
“Estou acompanhando as ações dos órgãos envolvidos e toda a estrutura necessária está sendo montada para minimizar danos, prejuízos e perdas. Além da mobilização oficial, faço um apelo para toda cidade que nos ajude e auxilie não apenas hoje, mas quando a sociedade e Manaus precisarem”, disse o vice-prefeito, Marcos Rotta, que está monitorando o atendimento das ocorrências registradas.
O maior número de registros foi de alagamentos, principalmente na zona Sul da capital, com quatro ocorrências: rua 01, rua Canumã e rua Gualter Batista, no bairro Petrópolis, zona Sul, e ainda na rua 32, do Japiim, também na zona Sul.
A chuva também causou alagamento no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Profª. Safira Barbosa da Silva, localizado na rua Boa Esperança, Crespo, zona Sul de Manaus, que aconteceu devido ao transbordamento do Igarapé do 40. Equipes da Subsecretaria de Infraestrutura e Logística da Secretaria Municipal de Educação (Semed), da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e da Defesa Civil estiveram no local e constataram que o incidente não gerou danos a estrutura da escola.
Para evitar que o problema volte a acontecer, o Departamento de Engenharia da Semed fará a elevação do nível da calçada do Cmei. Já a Seminf está fazendo a limpeza emergencial da área do Igarapé do 40, além do serviço de implantação de 140 metros de drenagem – já em execução – para acabar de vez com a situação dos alagamentos no local.
A Seminf também atua no na rua “PO”, do conjunto Morada do Sol, bairro Aleixo, fazendo a recomposição da drenagem. E na comunidade Parque São Pedro, no Tarumã, bem como no Petrópolis, realizando desobstrução de bueiros.
Além dessas, a central de emergência da Defesa Civil recebeu chamados por conta do risco de desabamentos de muros e risco de deslizamento de barranco no bairro Petrópolis.
Os pluviômetros da Defesa Civil registraram o volume de chuva de 93,2 milímetros na zona Sul, de 43,6 milímetros na zona Norte e de 47,8 milímetros na zona Centro-Oeste.
Acompanhamento
Desde a chuva do último dia 27, por determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto, agentes dos diversos órgãos da Prefeitura de Manaus vêm prestando auxílio e acompanhando as famílias que perderam seus bens. Após avaliação, 88 delas foram incluídas no auxílio aluguel e receberam a ordem bancária do benefício na quinta-feira, 12. O recurso só foi liberado ontem devido aos trâmites burocráticos do banco.
Além da liberação do benefício, agentes da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) vêm acompanhando as famílias prejudicadas, que receberam também benefícios eventuais como cestas básicas e itens de higiene pessoal. Uma grande campanha organizada pela prefeitura também arrecadou itens de primeira necessidade, mobilizando os servidores e a sociedade como um todo para a distribuição às famílias. Nas áreas vulneráveis, agentes da Defesa Civil têm estado presente para monitoramento.
FOTO: Lton Santos/ Semed e Divulgação / Semcom
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