Golias, o maratonista

São inúmeros os defeitos e poucas qualidades as quais o eleitor pode destacar nos políticos especialmente os profissionais e carreiristas.

Vai desde não cumprir promessas, trair amigos e correligionários, mentir, agir com hipocrisia, mudar constantemente de partido, alterar discurso quando lhe convém, praticar corrupção, deixar-se corromper, ser oportunista, etc. etc. etc.
Um dos mais adequados adjetivos que encontro para carimbar um político desse tipo é dar-lhe a alcunha de circunstancialista, ou seja, ser aquele sujeito de ocasião que deixa-se levar pelos fatos e circunstâncias momentâneas, olhando apenas para o próprio umbigo, tudo para tirar proveito.
A história bíblica da épica luta de Davi contra Golias nos remete a fatos muito edificantes e exemplares em que o bem venceu o mal e um gigante quedou-se morto ante um jovem filho de Israel.
A fanfarronice e as bravatas de Golias ao mirar o franzino Davi, tem muito a ver com o recente discurso do alcaide de Manaus diante de uma claque de apoiadores, esbravejando contra o Presidente da República e contra o Ministro da Economia.
A começar pela chamativa vestimenta vermelha do senhor prefeito, passando pelo discurso de ódio e atravessando a linha da civilidade e que leva ao confronto, tudo ali eram gestos e expressões meramente ciscunstancilistas.
Claramente, numa atitude menos de respeito e mais de ocasião que lhe favorece, o senhor prefeito poupa a figura do Presidente e desanca impropérios contra o ministro. Nada mais circunstancilista!
Sabe o alcaide que nada daquilo era sincero; nada em seus gestos, palavras e vestimenta são verdadeiros.
Tudo pode cair por terra ante uma chamada para uma conversa no Planalto e uma boa oferta de vantagens e benesses políticas e financeiras para Manaus. É tudo o que sua excelência o senhor prefeito deseja, para, no outro dia, alterar seu discurso. Isso é circunstancilismo!
Tanto é verdade, que o prefeito de Manaus horas depois espalhou um vídeo em que altera o discurso e, sem nenhum traço de humildade, desfaz suas próprias palavras ácidas proferidas contra autoridades constituídas.
Menos mal por certo!
Entretanto, a repercussão negativa do insidioso discurso foi diretamente proporcional aos danos causados à nossa cidade, seu povo e seus
eleitores que viram no malfadado ato, um gesto inoportuno e impróprio para ter sido dito no lugar, no momento e para um público errados.
Faltaram ali grandeza e maturidade políticas ao senhor prefeito.
Não é por meio de palavras ferinas que partem de um cidadão que se arvora cristão praticante que os problemas da cidade ou do estado serão resolvidos. Muito pelo contrário!
Perdeu pontos o prefeito. Perdeu igualmente oportunidade de chamar ao diálogo e sair por cima estendendo a mão ao Palácio do Planalto e abrindo um bom canal para a solução daquilo que nos aflige e preocupa.
O prefeito é prefeito de todos vinte e quatro horas do dia. Ele não é prefeito de si mesmo ou de um grupo de apoiadores. Isso só não faz sentido se o prefeito pegar um avião, viajar para a Europa e correr algumas centenas de quilômetros numa maratona.
O prefeito tem que ter a consciência de representar os anseios e necessidades de uma população.
Ao partir para o confronto achando que o mundo gira ao seu redor, o prefeito perdeu a oportunidade de ouro de ser protagonista nesse embate.
Com a mudança de tom, sua excelência o prefeito  não passa de um mero circunstancialista. Agiu mais como Golias.
Té logo!

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