Sem pedir licença aos “maiorais”, até porque não deveria fazê-lo, a seleção de futebol de Cabo Verde chegou ao campeonato mundial de 2026, mostrando a que veio. Jogar com raça, técnica, alegria, determinação, coragem e foco, demonstrando desde logo qualidade e participação ativa de jogadores que lembraram os bons tempos de nossos craques favoritos e que nos legaram as honrosas cinco estrelas no peito.
Mesmo sem ser versado nesse esporte, que nunca me apeteceu jogar, salvo as “peladas” na Rua do Leonardo Malcher, no campinho da igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ou na quadra do Rio Negro Clube, nas quais, confesso, quase sempre não era lá muito bem-sucedido, resolvi meter a minha colher nessa história particular da Copa porque, como telespectador assíduo das partidas oficiais, até a decepção do Brasil, me senti ofendido com as seguidas “garfadas” que foram espetadas para garantir o resultado que se verificou: a vitória da Argentina.
Verdade se diga, mesmo com o ranço que temos com o time de futebol desse país amigo, que a equipe de Messi não precisaria desse expediente se tivesse jogado como vinha jogando até então, com disposição e firmeza. Ao contrário, nessa peleja ela se apresentou apática, desgastada fisicamente, desconcentrada e vivendo, unicamente, do seu ídolo.
A seleção de Cabo Verde, por sua vez, jogou com precisão técnica e disposição para a vitória, sem medo de ser feliz, como se diz popularmente, e enfrentou os “hermanos” de igual para igual e até com certa superioridade, conseguindo descontar dois gols sofridos, um deles por obra de arte do Messi, ainda que que se discuta o seu impedimento.
O que se verificou, e grande parte da imprensa noticiou, é que a atual campeã do mundo foi surpreendida pelos cabo-verdenses e, ao que parece, resolveu apelar para o árbitro, afinal, não teria como explicar a derrota para um time africano e iniciante em copas do mundo, sem jogadores regados a milhões de euros ou libras esterlinas, e que demonstrou capacidade de chegar à vitória e desmontar o sonho argentino.
O juiz não titubeou e, em várias ocasiões, colocou a sua pá de boa vontade e contribuição para a vitória azul e branca, seja permitindo jogadas forçadas, faltas batidas antes da hora, escanteio sem razão, impedimento não marcado, gol não conferido pelo VAR e, por pouco, não teve coragem de marcar pênalti quando a bola bateu na cabeça e no braço do jogador africano, dentro da sua área.
O time cabo-verdense não se abatia. A cada “mancada” do árbitro, os atletas partiam para cima, sem receio, e voltavam a se colocar em condições de vitória, seja pelos seus atacantes, meias ou defensores, mas também pela confiança no seu “Vozinha”, um arqueiro-driblador, dos melhores e mais tranquilos.
A grande lição que a direção e os jogadores de Cabo Verde devem tirar dessa Copa é que não basta jogar futebol com qualidade, encarar os poderosos adversários em campo, ter determinação e mostrar paixão pelo seu país, também é preciso vencer o interesse particular dos principais “cartolas” que deveriam ser neutros, ou então vão vê-los brindar, pular e dançar quando da vitória do adversário. Ou seja, tem de ganhar no campo, na arquibancada e no tapetão.
Caso contrário, serão garfados outra vez.
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