Furacões políticos

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

A semana que passou bem que poderia entrar para o rol dos dias sem fim para muitas personalidades e partidos políticos do nosso país dado o grau de destruição provocado pelos inúmeros episódios relacionados com delações fechadas e anunciadas, gravações reveladas, depoimentos prestados, processos enviados ao STF, dinheirama encontrada, prisões efetuadas e reputações abaladas.Sem dúvida, que o principal acontecimento político judicial que, qual um furacão nível 5, atingiu em cheio mais uma vez a cúpula do Partido dos Trabalhadores, foram as revelações expostas pelo ex ministro e um dos maiores nomes petistas, Antonio Palocci. Sereno, sem claudicar e sem falsa emoção, o ex ministro trouxe à tona episódios e passagens que, uma vez confrontadas com outros depoimentos já prestados por dirigentes de empreiteiras, políticos e ex diretores de estatais presos ou já condenados, guardam uma terrível verossimilhança entre si e enterram de vez o sonho do ex presidente Lula de se salvar politicamente ou sustentar sua candidatura à presidência do Brasil já em pleno curso. Aguardemos então as provas a serem trazidas durante o fechamento da sua delação oficial pra vermos mais uma vez que o castelo de cartas petista ruirá restando a uns poucos homens e mulheres sérios do partido, juntar os cacos para salvar a sigla da bancarrota política iminente.

Mas, o furacão semanal que se aproximou do Brasil semana passada, não só atingiu em cheio o PT porém, outras figuras carimbadas da Lava a Jato numa reviravolta de fatos e passagens capazes de provocar nos brasileiros aquele sentimento de que não há fim nessa operação pois a cada dia que passa novos e vergonhosos fatos vêm à tona demonstrando que não há  limites éticos e morais para aqueles que vêm protagonizando esse escândalo que teimam em não sair das manchetes da imprensa nacional senão vejamos.

As gravações dos dirigentes da JBS emlameiam a cúpula do STF, colocam em cheque o Procurador Geral da República, lançam uma nuvem de dúvidas sobre a reputação de ministros do STJ,  ridicularizam o parlamento federal, numa série vergonhosa de relatos que envolvem ainda prostituição, farras e jogadas sujas somente permitidas àqueles a quem se permitiu um dia uma aproximação e interlocução inimagináveis com gente que deveria zelar pelas instituições superiores da república como soi ser a todos aqueles que, ocupando cargos de relevância, teriam a obrigação de agir com ética, equilíbrio moral na proteção aos símbolos da República.

Estarrecedor sob todos os aspectos é assistirmos a esses lamentáveis episódios e percebermos que a podridão campeia os altos escalões do governo, dos parlamentos federais, do poder judiciário e da procuradoria da república numa escalada sem fim de desmandos e quebra de valores, tristes de se tomar conhecimento.

Os milhões apreendidos no apartamento de um ex ministro com participação em diversos governos e que estava em prisão domiciliar, denotam que para essa gente, não há limites éticos tampouco respeito ao povo sofrido que se vê alijado dos serviços mais elementares para o exercício da sua cidadania enquanto que uns poucos se locupletam de vultuosas somas de valores numa escalada abjeta de enriquecimento ilícito.

Pra fechar uma semana de furacões de acontecimentos já quase corriqueiros da vida do brasileiro, a alta cúpula do partido PMDB é denunciada ainda que tardiamente pela Procuradoria da República expondo mais uma vez as fraturas de um sistema político partidário falido e que já não atende mais aos anseios do povo posto que subsistem para corromper, enriquecer, fazer conchavos, roubar e infelicitar a nação brasileira já desesperançada e sem perspectivas de possuirmos um sistema político partidário sério e construtivo.

Só nos resta acompanharmos e cobrarmos das autoridades competentes que as punições exemplares venham e que sirvam de exemplo para tantos quantos teimam em desviar-se do bom caminho da retidão de propósitos.

Té logo!

*O autor é empresário e farmacêutico

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