Funcionário terceirizado do João Lúcio é preso por desviar medicamentos. Ele já havia faturado R$ 80 mil

A Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd), da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), prendeu, em flagrante, Roger Lima Duarte Gonçalves, 22, que trabalhava há três anos como funcionário terceirizado no Hospital e Pronto Socorro João Lúcio e estava sendo investigado pelo crime de peculato, por desviar medicamentos. A prisão ocorreu na noite de quinta-feira (31/10), no bairro Nova Cidade, zona norte da capital. Ele confessou que ganhou pelo menos R$ 80 mil com o golpe.
As investigações iniciaram quando a especializada foi acionada pela diretoria do hospital, informando que estaria ocorrendo desvio de medicamentos do lugar, segundo o titular da DERFD, delegado Guilherme Torres.

“Nós estamos há um mês investigando a questão desses furtos de medicamentos. A direção do hospital informou que tinham constatado a subtração de alguns medicamentos e passamos a trocar informações, junto com eles, e monitorar a entrada e saída de medicamentos. Na tarde de ontem, percebemos uma atitude estranha de um funcionário, onde ele saía com alguns carrinhos com várias caixas de papelão e colocava no carro particular dele. A partir desse momento, nós fizemos uma vigilância e acompanhamos o veículo. Em um determinado momento, fizemos a abordagem e foi constatado aproximadamente 4 mil frascos de medicamentos”.

Com ele, foram apreendidos 1 mil ampolas de Tramadol, 120 frascos de Ampicilina, 280 frascos de Imipeném, 150 frascos de Meropénem, entre outros medicamentos, que estavam dentro de caixas de papelão dentro do carro do homem.

O titular da Derfd destacou que, em depoimento, Roger confessou a autoria dos desvios e declarou que ganhava por semana em média de R$ 2 mil a R$ 4 mil. Ele relatou, ainda, que já teria subtraído em torno de R$ 80 mil em remédios, desde que começou a praticar os desvios.

Segundo Torres, o prejuízo para unidade hospitalar está avaliado em aproximadamente R$ 100 mil.

Procedimentos – Roger foi autuado em flagrante pelo crime de peculato e foi conduzido para audiência de custódia no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, bairro São Francisco, zona sul da capital, e permanecerá à disposição da Justiça.

Veja nota da Secretaria de Estado da Saúde sobre o caso:

“A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informa que a investigação sobre o desvio de medicamentos que resultou na prisão de Roger Lima Duarte, funcionário terceirizado do Hospital e Pronto-socorro João Lucio Machado, é resultado das medidas de controle que vêm sendo adotadas nos hospitais e foram deflagradas pela Polícia Civil a partir de uma denuncia da direção da unidade.
 
A ocorrência foi oficializada à Delegacia de Roubos e Furtos em 14 de outubro, mas a direção da unidade já vinha monitorando, em sigilo, com o conhecimento da Susam, o sistema de entrada e saída de medicamentos do setor de farmácia do HPS João Lucio Machado, onde foram observadas inconsistências e verificadas baixas significativas no estoque de itens que não correspondiam ao consumo do hospital.
 
Conforme a direção do HPS João Lucio Machado, o funcionário, que atuava na farmácia da unidade, começou a ser monitorado a partir de setembro, devido às atitudes suspeitas e a observação de divergências significativas na movimentação de estoque.
 
Um exemplo é o Alprostadil, cujo estoque fora abastecido pela Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) no dia 2 de outubro com 200 ampolas e no dia 8 do mesmo mês havia apenas 100 ampolas, sem registro de uso. O funcionário alegou que os mesmos tinham sido usados em permuta com outras unidades, mas não apresentou processo administrativo comprovando o procedimento, como é de costume. Dois dias depois, o estoque estava zerado, embora tenha sido registrada no período apenas uma permuta de 30 unidades. Também não foi registrada saída para setor ou paciente.
 
Ao verificar o sistema de registros de câmeras da unidade, a direção flagrou o funcionário em atitude suspeita carregando caixas de medicamentos para o estacionamento, sendo a denuncia oficializada à Polícia Civil, que passou a investigar o funcionário.
 
A Susam lamenta atitudes como estas, que prejudicam diretamente os usuários da rede pública de saúde e está tomando todas as medidas para reforçar o controle nas unidades, além de confiar no avanço das investigações da Polícia do Amazonas, inclusive na identificação dos receptadores dos produtos desviados.”

FOTO: ERLON RODRIGUES 

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