A Zona Norte de Manaus foi o cenário de um marco para a cultura comunitária e a literatura independente do Amazonas. A primeira edição do Festival Literário da Amazônia Periférica (FLAP), realizada na Casa Teatro Tauá Caá, no bairro Santa Etelvina, transformou-se em um espaço pulsante de resistência, arte e encontro de gerações. O evento reuniu mais de 120 jovens e adultos em uma imersão cultural de 10 horas que conectou a poesia marginal às estruturas da poesia tradicional.
O festival atraiu de forma expressiva a comunidade escolar local, contando com a participação ativa de estudantes do Ensino Médio da rede pública, vindos especificamente da Escola de Tempo Integral – Centro Educacional Arthur Virgílio Filho, também localizada no bairro Santa Etelvina. Para muitos dos estudantes e moradores presentes, o FLAP abriu as portas para um universo artístico totalmente novo, promovendo um impacto transformador e despertando o interesse pela escrita e pela performance poética.
Idealizado pelo Allegriah Grupo de Arte e Cultura (AGAC) e coordenado pela artista da cena, escritora e pesquisadora Jackeline Monteiro (criadora do Movimento Literário Aglomeração Poética – MLAP), o festival cumpriu seu papel de descentralizar o acesso à cultura e dar voz às narrativas que brotam das margens, dos barrancos e das beiras dos igarapés amazônicos.
Acessibilidade e Inclusão
Além de debater a pluralidade das vozes periféricas, o FLAP firmou seu compromisso com a inclusão social ao contar com a presença e atuação de intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) durante a programação, garantindo que a potência das palavras, dos debates e das performances fosse acessível ao público surdo.
Oficinas e Troca de Saberes
Na parte da manhã, o projeto “Nascente de Vozes” promoveu duas oficinas formativas simultâneas: “Rascunhos de Barrancos: Inventivências da Margem”, mediada por Guilherme Araújo, e “Palavra Encarnada: da escrita ao corpo”, conduzida por Deihvisom Caelum. O turno vespertino foi aberto com a oficina “Riscando Vozes: criação e presença na poesia marginal”, com o slammer Will Dero, seguida por duas rodas de conversa que debateram a identidade de quem escreve a partir das realidades periféricas.
O Encontro das Poesias e os Campeões das Batalhas
O ponto alto do evento foi a Batalha Poética FLAP, que promoveu um encontro estético considerado um dos grandes diferenciais do festival. Ao dividir a competição em duas categorias, o FLAP validou tanto o dinamismo do Slam (poesia falada de rua) quanto o rigor das estruturas clássicas (como o soneto e a poesia lírica), mostrando que ambas as vertentes carregam a mesma urgência e valor literário.
Após disputas emocionantes avaliadas por corpos de júri específicos, foram consagrados os grandes vencedores da primeira edição:
Prêmio Raiz de Palavra (Estrutura formal, ritmo, métrica e estética escrita)
- 1° Lugar: Jon Caleb
- 2° Lugar: Ella Blacky
- 3° Lugar: Maria Rita
Prêmio Rebentação de Versos (Poesia falada, características de slam e livre experimentação)
- 1° Lugar: Marcos GF
- 2° Lugar: Enma Fuzinato
- 3° Lugar: Gibi MC
Futuro Itinerante: Próximos Passos do Festival
Financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio de edital do Conselho Municipal de Cultura de Manaus, o FLAP encerrou sua primeira edição consolidado como uma ponte necessária entre o centro e as periferias. Diante do sucesso, o desejo de expandir o festival para outras comunidades já move a organização.
Questionada sobre a possibilidade de uma segunda edição, a coordenadora do projeto, Jackeline Monteiro, pontuou a importância do incentivo financeiro e revelou planos de levar o evento para novos territórios:
“Para realizar um evento desse é preciso de fomento, se conseguirmos aprovar editais, com certeza vamos fazer a segunda edição. A partir dessa experiência, acredito que esse festival é para ser itinerante, não em um local fixo, então, tudo indica que para uma segunda edição, vamos pensar em uma outra zona da cidade de Manaus ou outro espaço na mesma zona. É uma maneira também de firmarmos parcerias com espaços culturais das periferias.”
“A margem não termina aqui, ela continua em quem escutou”, destacou a equipe no encerramento das atividades, reforçando que o FLAP não foi apenas um eventos, mas sim um movimento contínuo de ocupação, identidade e encantamento que fincou raízes profundas na Zona Norte de Manaus e que promete ecoar por toda a cidade.
SERVIÇO & INFORMAÇÕES
Evento: 1ª Edição do FLAP – Festival Literário da Amazônia Periférica
Realização: Allegriah Grupo de Arte e Cultura (AGAC) / Movimento Literário Aglomeração Poética (MLAP)
Local do Evento: Casa Teatro Tauá Caá (Bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus)
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