FATOS E VERDADES: MINHA TRAJETÓRIA NA FUNDAÇÃO ALFREDO DA MATTA (II)

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“Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.”(Carlos Drummond de Andrade)
 
Prossigo hoje, no relato do que convenciono chamar de saga que foi e ainda é, a minha trajetória de servidor e de candidato ao cargo de Diretor Presidente da Fundação Alfredo da Matta(FUAM), contanto os episódios que circunscreveram a minha segunda tentativa e  primeira vitória no processo eleitoral desta vez no ano de 1993.
Em meados daquele ano resolvi, em conjunto com uma série de servidores do ainda Instituto Alfredo da Matta, que deveria reapresentar meu nome em novo processo eleitoral visto que mesmo não logrando êxito na primeira tentativa, a gestão de então arrastava-se numa crise existencial, com o absurdo afastamento da diretora presidente para cursar doutorado em SP e, sua vice diretora se esquivando em  exercer plenamente a função com a entidade padecendo em meio ao caos administrativo, técnico e financeiro.
Demorei entretanto, a digerir a ideia de uma nova candidatura e fiquei a meditar sobre os horizontes sombrios e incertos para os quais caminhava a instituição e aguardei que outros candidatos se apresentassem  para então decidir em lançar-me como candidato de um grupo basicamente formado em sua maioria por servidores de nível médio. 
E assim se deu que, em agosto de 1993, tomei a decisão madura de lançar meu nome e, ao longo de dois meses, fizemos nossa campanha baseada numa plataforma que se assentava em fortalecermos o tripé assistência, ensino e pesquisa sem olvidarmos do principal agente de transformação da entidade que era o seu corpo técnico e profissional  e, no final outubro houve eleição da qual saí vitorioso com apenas um voto de diferença. 
Até então, todos os diretores indicados ou eleitos diretamente, jamais haviam enfrentado resistência ou sido objeto de questionamento sobre se deviam assumir ou não a entidade. Comigo tudo foi diferente, talvez por quebrar um paradigma de que apenas profissionais da medicina poderiam gerir uma instituição de saúde. Esse axioma equivocado eu não temia!
No início do ano de 1992 e final do ano de 1993(ano eleitoral em que me candidatei) o governo do estado estava construindo a nova sede da nossa instituição. Havia um acordo entre uma ONG alemã e o governo do estado onde este construiria o prédio e a ONG entraria com recursos da ordem de um milhão de dólares para equipá-lo. Já já, volto a esse tema.
Pois bem, em meados de dezembro de 1993 eu já eleito diretor para o quadriênio seguinte, houve a inauguração da nova sede do instituto com a presença do então governador Mestrinho, do representante do ministério da saúde, autoridades civis, parlamentes, etc. Nem fui chamado ao palco da solenidade e sequer eu fui citado como o próximo diretor
prestes a assumir a gestão da entidade já na nova sede. Antevi ali que algo de estranho estava acontecendo ou alguma trama desenhava-se pois volta e meia me chegavam relatos por meio de servidores antenados no processo, de que poderia haver virada de mesa em favor da candidata derrotada.
Amazonino Mendes havia sido eleito governador e corria um burburinho de que o novo secretário de saúde seria o empresário Francisco Garcia.
Já era noite e, logo após a inauguração da nova sede, partiram de lá rumo à residência do quase futuro secretário de saúde, duas médicas, uma enfermeira e o representante do ministério da saúde ocasião em que, apelaram para que a segunda colocada assumisse a direção do instituto a partir de janeiro de 1994.
Indignado, porém, perdido em meio a essa sórdida trama, e não sendo atrelado a nenhum político ou partido político, busquei então aproximações por meio de amigos e defensores do processo eleitoral, até que cheguei ao escritor e secretário de estado da comunicação do governo Mestrinho, Arlindo Porto. Estávamos no final do ano de 1993 e há poucos dias da posse do novo governador eleito Amazonino Mendes.
Recebi um chamado e fui ter com o secretário Porto que me disse o seguinte: – Ronaldo, o governador Mestrinho não vai se imiscuir nesse processo eleitoral interno do Alfredo da Matta e vai deixar o novo governador à vontade para nomear quem ele quiser, porém, fica com as barbas de molho que tem gente puxando seu tapete. Apenas sorri, agradeci e me despedi do secretário. Aquela notícia era algo que me aliviava o coração e a alma!
O ano de 1993 acabou e veio a posse do Amazonino. Saiu a lista com o nome dos novos secretários e dirigentes de fundações e autarquias sem nem se tocar no caso do Alfredo da Matta.
A diretoria e a maioria dos ocupantes de cargos em comissão de então do instituto, deixaram os postos e vivíamos uma situação pra lá de estranha em termos de gestão: processo eleitoral transcorrido normalmente, havia um diretor eleito, prédio novo entregue, promessas de parceria com entidade internacional e, diretoria nova empossada que é bom necas.
Em meio a esse caos, resolvi solicitar uma audiência com o governador Amazonino por meio de meu irmão Roberto Amazonas, então amigo e secretário do governador. Poderia até recorrer a ele bem antes, porém, sempre acreditei e acreditei errado, que havia homens e mulheres de bem que respeitariam o processo eleitoral como sempre se respeitou, e que não se apelaria para expedientes baixos e odiosos como forma de melar o modo pioneiro, exemplar e democrático de escolha do dirigente da instituição decana da saúde pública do estado respeitada além das fronteiras até do país.
Por volta do dia 10 de janeiro de 1994, fui recebido pelo governador Amazonino que me disse assim: – Cabôco vc vai ser nomeado presidente do Alfredo da Matta pois eu não costumo desrespeitar indicação dos servidores. Então eu lhe disse:-Governador o instituto está um caos inclusive a porta do gabinete está trancada. E ele: -Vá lá meta o pé na porta e comece a trabalhar que o governo já começou! Chamou o secretário Garcia, me recomendou a este que apenas disse a seguinte frase: – Só quero que vc mantenha a freira! Era a senha que faltava para que eu confirmasse a origem de  todas as intrigas, pernadas ou tramas conspiratórias, as quais  circunscreveram a eleição, a aceitação do meu nome e minha nomeação pelo governador que se deu apenas no dia 14 de janeiro de 1994.
Mas, como nem sempre os derrotados ficam satisfeitos com suas próprias incompetências e irresponsabilidades, não se dando por vencidos, ainda tentaram o último golpe que narro até em meio a um misto de constrangimento e misericórdia com uma gente sem escrúpulos e desprovidas de gestos de grandeza e amor pela entidade que clamava por melhores dias.
No final de janeiro de 1994, aproximadamente às 14:00 me dirigi ao Palácio Rio Negro então sede do governo, para uma audiência solicitada junto ao gabinete do governador. Aguardei pela minha chamada e, lá pelas 15:00, fui informado pela chefia de gabinete que o governador estava de saída para uma reunião no Auditório Gilberto Mendes de Azevedo no SESI, com a categoria da polícia civil (o governador havia extinguido a PC e o clima era pra lá de carregado no governo) porém, eu iria de carona no carro com o  governador. E assim se deu. Entramos no carro, com o Amazonino ao volante, eu no banco da frente e atrás entrou meu diretor administrativo posicionado ao lado do Armandinho, filho do governador. De pronto o Amazonino saiu com essa: – Amazonas (era assim que me tratava) recebi um ofício (ao qual dias depois tive acesso) do Ministro da Saúde não recomendando o teu nome para dirigir o Alfredo Matta. Espanto meu! Perguntei e aí? O Amazonino virou disse:  – Olha Amazonas eu fiquei foi puto com essa intromissão e isso gerou em mim uma reação exatamente contrária e não vou nem responder a isso; nunca me arvorei de indicar quem quer que seja para o ministério!
Encerramos a conversa, chegamos à reunião da PC peguei um táxi e retornei ao Alfredo da Matta pra trabalhar com o ego nas alturas por encontrar, em meio a tanto desatino e idiossincrasias, gente como o ex governador Amazonino Mendes que durante meus dois mandatos foi o responsável direto pela maior fase de revitalização, crescimento e consolidação da entidade, nunca antes experimentados. Devemos eu, a Fundação Alfredo da Matta e seus servidores, tudo isso ao ex governador.
No próximo artigo relatarei parte do início de um mandato difícil e de como, o que havia sido prometido pela ONG alemã em torno de um milhão de dólares para equipar o prédio novo, passou pra meio milhão de dólares e terminou em 150.000 reais como num passe de mágica. Falarei da decisão do governador Amazonino de reconstruir um prédio recém inaugurado e de bancar com recursos do estado a equipagem do prédio.
Té logo!
Sds Ronaldo Derzy Amazonas
Ronaldo Amazonas, ex-diretor da Fundação Alfredo da Matta, um dos mais polêmicos ativistas da internet. Escreve sobre o que lhe vier à cabeça, sempre com uma pegada forte e opiniões muito próprias.

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