“Eu disse a ele que essa vida não tinha futuro”, diz tio de um dos mortos no confronto com a PM

Familiares dos 17 mortos no confronto desta madrugada com a Polícia Militar, em becos dos bairros Betânia e Crespo, na zona Sul de Manaus, já começaram a reconhecer os corpos no Instituto Médico Legal (IML). Eles seriam integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN), que foram ao local para tomar bocas de fumo que eram controladas pelo Comando Vermelho (CV). Um dos primeiros a ser identificados foi Alexsandro Custódio de Carvalho, de 16 anos. O tio dele, Cristóvão Carvalho, deu uma declaração emocionada a imprensa, dizendo que o sobrinho já tinha escapado de morrer na semana passada e havia sido advertido várias vezes para os riscos que corria.

“A mãe dele também está aqui chorando pra caramba. Antes dele sair de casa, ele deu um abraço forte nela. Já tinha escapado da morte semana passada. Eu disse a ele que esta vida não tinha futuro, mas desde cedo se envolveu no mundo do crime”, disse Cristóvão. Ao lado dele, Cristiane Idalina chorava muito. Ela não criava o filho, deixado coma  avó, e assumiu ser usuária de entorpecentes. Falando palavras desconexas, tentava definir a vida do filho. “Ele nunca quis sair da vida. Porque aqui era CV, e os caras de lá FDN. Ele dizia que se o cara viesse até nós, ele não tinha nada a ver porque ele era só usuário”, resumiu.

Os familiares que chegam ao IML estão sendo levados por funcionários para uma sala separada. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), ainda há três feridos, que não correm risco de vida, no Hospital e Pronto-Socorro 28 Agosto, na Zona Centro-Sul de Manaus. E novos confrontos ocorreram hoje pela manhã no mesmo local.

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