O presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e secretário de Estado do Meio Ambiente (Sema), Marcelo Dutra, assina, hoje, a Licença Operação (LO) para o funcionamento do abatedouro e entreposto flutuante, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, no município de Uarini (distante 565 quilômetros de Manaus), de manejo de jacaré e o abate do animal para comercialização no mercado local.
De acordo com Dutra, a Licença foi solicitada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e terá a validade de 5 anos para fins de abate de jacarés das espécies açu e tinga no rio Paraná do Jarauá, na comunidade Jarauá, em Uarini. No local, o Governo do Amazonas iniciou o trabalho de manejo e abate experimental dos animais com investimento de R$ 300 mil em capacitação de técnicos e moradores da RDS.
A RDS Mamirauá foi criada em 1986, pelo governador Amazonino Mendes, como Estação Ecológica e, dez anos depois, transformada em reserva. O trabalho de licenciamento do entreposto envolveu o trabalho de equipes técnicas formada por biólogos, engenheiros ambientais e especialistas do Ipaam no processo de análise do abatedouro, que tem a capacidade de capturar em gaiolas e abater 60 jacarés ao mês, sem descartar sangue e vísceras no rio.
O empreendimento conta tecnologias de baixo impacto ambiental e cumpre todos os protocolos de ambientais e sanitários, além de manter o local de abate do animal perto da área de captura, sem a necessidade de arrastar o jacaré e, com isso, mantendo a qualidade da carne. O entreposto tem a previsão de gerar aproximadamente 14 empregos diretos naquela localidade rural, que será beneficiada com pagamento por serviços ambientais.
No Amazonas, foram autorizados três abates de jacarés. O primeiro aconteceu em 2004, de forma experimental, quando foram capturados 59 animais. A carne foi toda utilizada para eventos de degustação diversos e as peles encaminhadas a um curtume em Novo Hamburgo (RS) e Estância Velha (RS).
Em 2006, o abate foi de 200 animais, quando 4 toneladas de carne de jacaré foram comercializada em uma rede de supermercados de Manaus e outra parte transformada em carne salgada-curada de jacaré, junto com a charqueadores Muiraquitã.
Em 2008, foram abatidos 249 jacarés, ou seja, 5,5 toneladas de carne. As peles foram levadas a diversos curtumes, ao Inpa, e a carne embalada e comercializada em restaurantes e bares da cidade.
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