Estado não colocou no orçamento de 2026 verba para o funcionamento do Hospital do Sangue, em obras há onze anos

O Hospital do Sangue do Hemoam, unidade concluída e licenciada desde setembro de 2024, permanece fechado há mais de um ano, apesar de possuir 190 leitos prontos, estrutura finalizada e previsão detalhada de custeio enviada à Secretaria de Estado de Saúde ainda em julho deste ano. Pior: o Governo do Amazonas encaminhou à Assembleia a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 sem prever nenhum centavo para o funcionamento dele, deixando descoberta uma demanda que atinge diretamente mais de 4,3 milhões de amazonenses.

A obra começou em 2014, durante o governo de José Melo, cassado em 2017. Passou por David Almeida (interino), Amazonino Mendes e pelos sete anos da gestão de Wilson Lima sem conclusão. O governador, aliás, não inaugurou nenhuma unidade de saúde relevante no período e deu prioridade ao Hospital de Animais, construído a toque de caixa.

Durante a fiscalização realizada na última sexta-feira (5), o deputado Wilker Barreto (Mobiliza) constatou que o prédio, localizado em frente ao Centro de Convenções Vasco Vasques, já dispõe de autorização de entrega provisória e encontra-se completamente apto para operar. Segundo dados da própria Fundação Hemoam, são necessários R$ 163 milhões anuais, cerca de R$ 13 milhões mensais, para colocar a unidade em pleno funcionamento e concluir os últimos equipamentos. O valor, destacou o parlamentar, é irrisório diante do orçamento estadual de R$ 38 bilhões para 2026 e do recente empréstimo de R$ 1,5 bilhão aprovado pelo Legislativo.

“Para funcionar o Hospital do Sangue, nós estamos falando de 13 milhões por mês, estou falando em funcionar e terminar de equipar. 163 milhões dividido por 12 meses dará um pouco mais de 13 milhões, 190 leitos, um hospital literalmente pronto”, destacou Wilker ao reforçar que não se trata de estimativa ou achismo, mas de números oficiais enviados pelo próprio Hemoam à SES-AM para composição da LOA.

Risco de sucateamento e abandono

A preocupação do deputado vai além do desperdício de recursos públicos. Wilker lembrou que milhares de pacientes onco-hematológicos aguardam o início das atividades da unidade, indispensável para ampliar a oferta de atendimento especializado, reduzir filas e desafogar outros hospitais da capital. Ele também chamou atenção para o risco de deterioração física do prédio, que já começa a apresentar sinais de abandono, expondo um patrimônio recém-construído ao sucateamento antes mesmo de ser inaugurado.

Cobrança

Ao relatar que buscará a Liderança do Governo, Casa Civil e Secretaria de Governo para esclarecer a ausência de dotação orçamentária, Wilker reforçou o papel da Assembleia em corrigir a omissão. O parlamentar defendeu que o Legislativo avalie a apresentação de emenda impositiva ou ajuste relatado na LOA, garantindo recursos para que o hospital entre em operação já em 2026.

“Eu não acredito que o governador saiba disso, eu sei que ele é desinformado, mas eu não acredito que ele, como gestor, sabendo que o hospital está parado, não priorize. É irracional, um gestor não colocar para funcionar um hospital, chega a ser criminoso”, afirmou.

Wilker encerrou o pronunciamento reafirmando que dará ao Governo a oportunidade de corrigir o erro, mas que a Assembleia não pode se omitir diante da gravidade da situação. Para ele, o funcionamento do Hospital do Sangue é uma obrigação moral, jurídica e social do estado.

“O regimento permite que possamos fazer uma emenda de relator, eu estou com os números, não é achismo, o hospital está entregue, nós temos o valor que precisamos, mas eu quero dar essa oportunidade, e essa chance do governo se redimir com o povo e ainda consertar o seu erro e botarmos para funcionar no ano que vem o hospital do sangue”, concluiu.

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