Entre oportunismos e oportunidades

Vamos combinar que tem sido repetitiva, risível e até vexatória, a atuação e manifestações de políticos, articulistas, tributaristas e até empresários, sobre o tema redução do IPI anunciada pelo governo federal.

Custa-me acreditar e aceitar, que existe de fato convicção política e técnica de que a redução de impostos possa ser algo prejudicial a um país e sua gente.
Não deixo de transparecer um misto de indignação e revolta e sei que uns e outros até haverão de dizer de mim: esse cara vai falar bobagens!
Respondo: bobagens, são o que a população do nosso estado vem ouvindo e engolindo há décadas, quando a classe política, sem competência para propor ou desenhar um modelo econômico alternativo para o estado, insiste na mesmice de uma matriz exaurida em si mesma, ante um mundo, onde a economia globalizada e competitiva, exige mais que isenção de impostos e muito de ciência, tecnologia, produtos diferenciados, menos commodities e mais produtos industrializados ou manufaturados que gerem trabalho, emprego e renda para nossa gente e riquezas para o país.
O que vou falar nesse artigo, em que pese minha reconhecida laicidade no tema, não me desautoriza a discorrer o que penso enquanto cidadão, a partir do conhecimento pela leitura e interpretação de noticias, de recortes que faço sobre o posicionamento desse ou daquele político, empresário ou gente do meio técnico.
Fato inegável, é que tudo é uma questão de lógica cartesiana onde estão embutidos a matemática e a economia de um modo absolutamente simples e sem rodeios.
Se de um lado, cortar impostos reduz a capacidade do estado de arrecadar, por outro lado e talvez em maior proporção, amplia a base arrecadatória pública pelo aumento do consumo e, diretamente, da produção industrial, levando o país a mais investimento especialmente em infraestrutura que gera milhões de empregos.
Parece simples e é mesmo simples! pois há gente por aí embolando o meio de campo ao falar das alturas, quando o tema é absolutamente terreno.
Ora, o governo federal determinou-se a reduzir em 25% o IPI de ares condicionados, produtos de linha branca(refrigeradores, microondas, fogões, lavadoras, etc) e de veículos produzidos no país.
Quem não quer equipar sua casa? Quem não quer comprar produtos a preços mais convidativos? Quem não gostaria de trocar de equipamentos ou de veículos a custos menores?
Ocorre, que no caminho da boa decisão do governo federal, tem uma pedra chamada Polo Industrial de Manaus-PIM ou Zona Franca de Manaus-ZFM (que vem a ser o conjunto das atividades incentivadas existentes no PIM) com suas eternas e carcomidas vantagens comparativas.
Mais do que isso, no pé da boa intenção do governo federal existem interesses comezinhos de eternos choramingões e lamurientos políticos e empresários avarentos, que enfiam o dedo e as mãos para aparecerem de eternos defensores de um modelo ultrapassado, anacrônico e enferrujado chamado área de redução e até de isenção de impostos.
O que temos que buscar brigando e até se descabelando, é a troca da matriz econômica do estado.
O que temos que buscar no bom exemplo do vizinho estado do Pará, é a exploração mineral. O que temos que prospectar, é a bioindústria e o aproveitamento florestal sem as amarras do ecofundamentalismo. O que necessitamos, é investir no vale do silício amazônico aproveitando a tecnologia, a pesquisa e os potenciais científicos já existentes nas nossas universidades.
Necessariamente há que se despolitizar e desideologizar o debate afinal, alguns desavisados, teimam em pegar carona como eternos oportunistas, transformando o que é solução e oportunidade em um baita problema.
Para não dizer que apenas falo mal de parte da classe política, vou citar dois bons exemplos de homens públicos que, por suas posições em defesa de políticas de estado e não de governos, se manifestaram no passado e no presente com excelentes projetos para uma virada na matriz econômica do nosso estado.
O primeiro, foi o ex senador Evandro Carreira que causou polêmicas há décadas atrás, ao propor a exploração florestal em larga escala.
Dizia ele, que por sobre a Amazônia não se pode colocar uma redoma para mantê-la intocável, pois isso seria impor ao nosso caboclo um eterno e cruel castigo de apenas contemplar a natureza sem poder dispor das riquezas do subsolo e da própria floresta.
Conservar(manter virgem) é muito diferente preservar(explorar sem destruir), falava com propriedade o falecido senador.
Completo dizendo, que querem tratar a Amazônia como aquele mortal biliardário que amontoa riquezas, amplia, cuida e protege a vida toda sei patrimônio e, quando morre, não leva nada para o túmulo.
Outro político quem vem há anos se destacando ao propor alternativas para uma transformação econômica do estado é o deputado Sinésio Campos.
Simplesmente, o deputado vem bradando sem a necessária ressonância junto aos escalões governamentais estadual e federal do seu discurso e posição firmes, que a exploração mineral no Amazonas precisa acontecer e logo.
Ele vem falando da silvinita(base mineral do potássio)cujas reservas no solo dos municípios de Itacoatiara, Nova Olinda do Norte e Autazes, passa dos três bilhões de toneladas.
A exploração desse filão mineral, colocaria o Brasil numa posição confortável de quase independência para a produção de fertilizantes à base de potássio.
Mais, seria a redenção econômica desses municípios e quiçá do Amazonas pois daria início a tão sonhada virada econômica.
Já pensaram em quantas empresas mineradoras viriam pra cá? Quantos empregos seriam gerados? Quanto de imposto o estado arrecadaria?
Já está mais que na hora da nossa classe política pensar menos em eleição e reeleição, parar de sentar em confortáveis poltronas e mesas posando para fotos e vídeos.
O que ela deve fazer é analisar, discutir e propor alternativas para o início tão sonhado da troca definitiva do modelo econômico do nosso estado, cujo PIB, é quase que totalmente dependente de uma indústria que, apesar de altamente tecnológica e transformadora, para se sustentar, depende ainda de componentes de outros países e de isenção de impostos.
Nosso modelo industrial é refém de empresas e e de uma classe empresarial cuja visão é totalmente mercantilista e cartesiana.
Querem tudo de graça e sem o mínimo de compromisso com o estado e com os operários, pois, ao menor sinal de crise ou de perda de competitividade, arrumam as malas e se mandam daqui em busca de outras plagas onde possam sugar o sangue qual vampiros sedentos até à morte das suas vítimas.
O que nosso estado e nossa gente querem e esperam das classes política e empresarial, é menos oportunismo e mais visão para o enorme leque de oportunidades que temos seja no solo, no subsolo, no ar e nas mãos de um povo inteligente, trabalhador e empreendedor.
Não nos esqueçamos que área de isenção de impostos, o Polo Industrial de Manaus ou a Zona Franca, têm data e hora para acabar.
Nosso estado é eterno mas, nossa gente, não pode esperar eternamente sobrevivendo e sendo sustentada por uma matriz econômica que já deu o que tinha de dar.
Té logo!

Qual Sua Opinião? Comente: