Entre agourentos e carpideiras

Quem em sã consciência há de negar que a situação social e econômica do Brasil está complicada?

Quem haverá de apagar da memória nacional que um furacão chamado pandemia nos assolou sem dó nem piedade por mais de dois anos?
Qual desmemoriado terá coragem para desconhecer que ainda persistem certas condições sanitárias a rondar qual fantasmas a vida do povo brasileiro e, ao menor sinal de abertura da guarda, a pandemia poderá retornar com toda força?
Sem a grandeza do reconhecimento de que nosso país, como também boa parte do mundo notadamente Europa e Estados Unidos, ainda sofrem, do ponto de vista econômico e social, as consequências desse desastre sanitário global, muitos, jamais poderiam admitir, que os governos atuais em todos os níveis não são totalmente culpados pelo que estamos passando
Nesse prisma, o que já está ruim fica mais difícil ainda, quando uma gente sem noção ou sem moral alguma para comentar ou fustigar o atual governo, assume ares de salvadores da pátria apresentando fórmulas mágicas, números dourados, ideias geniais e soluções espetaculosas para a crise.
Estes, apagaram totalmente das próprias memórias, que quando estiveram no poder, também enfrentaram ou criaram um mar de dificuldades para a economia do país.
Atualmente uma inflação alta, preços lá em cima, gastos públicos estratosféricos com programas sociais e uma moeda fraca, compõem o caldo de cultura ideal para debilitar mais ainda uma economia já frágil.
Uma produção industrial lenta, um comércio fraco, uma população sem crédito e os salários defasados, completam, desafortunadamente, um cenário mais que desanimador para qualquer economia pública e privada.
Por sobre todo esse arsenal de dificuldades, sobrevêm os políticos e determinados analistas e comentaristas econômicos negando de maneira criminosa que existem fatores concorrentes para a sustentação de uma crise sem precedentes.
Estes, numa postura tacanha e medíocre, preferem esconder as obviedades que estão por detrás desse quadro social e econômico dantesco, promovido por uma hecatombe global sanitária, e não admitem que é preciso dar um tempo e acreditar que tudo pode ser revertido.
Para tanto, há que se propor alternativas e não apenas críticas. Tem que analisar de modo técnico criterioso e não apenas no sentido da crítica política que fere e destrói.
Não há saída miraculosa! Não existe tempo determinado para definir em que momento se dará a virada!
Para completar esse mar de problemas, parte da mídia e formadores de opinião, amplificam e reverberam diuturnamente sem dó nem piedade martelando a população com desinformação e medo, que somente criam mais ainda um ambiente de descrença e desesperança.
Logicamente que não sou nenhum hipócrita a esconder ou deixar de creditar parte dessa crise a um governo politicamente frágil e em permanente clima de conflagração ora com o parlamento, ora com a justiça e ora com a mídia mais poderosa.
Entretanto, do ponto de vista político, implantou-se no nosso país, um modelo de relação e de dependência nada saudável entre o poder executivo e o poder legislativo.
O primeiro não consegue seguir um plano de governo ideologicamente traçado como liberal em que se prevê um estado mínimo e uma economia aberta e sem as amarras do intervencionismo estatal.
O segundo, não sobrevive sem desmamar das tetas do orçamento público sugando o quanto pode os recursos do estado para tirar proveito pessoal, familiar ou empresarial, a fim de se manter ligado ao poder seja de que maneira for.
Aí é um Deus nos acuda! em que cada um é movido apenas por interesses comezinhos e onde o que menos prevalece é o bem estar do povo e o crescimento do país.
Apenas e tão somente quando casarem os interesses desses dois poderes em prol da população, aí havermos de vislumbrar tempos de crescimento econômico, paz e justiça social e um país ocupando lugar de destaque no cenário social, político e econômico mundial.
Quando isso vai ocorrer não sei exatamente!
Com a palavra a grande mídia, os governantes em todos os níveis, os nossos parlamentares e o poder judiciário, este que sempre tem e dá a última palavra nesse pobre país de muitos contrastes.
Té logo!

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