A sociedade brasileira anda cansada de ver a cada ano a morte de dezenas de milhares de homens, mulheres, crianças e idosos os quais residem em regiões atingidas por fortes chuvas acompanhadas por deslizamentos de terra, enxurradas, inundação de barragens, queda de morros, etc.
Mais que de repente as autoridades públicas e da defesa civil e os meios de comunicação correm para “administrar” essas catástrofes muitas vezes relativizando os fatos atribuindo-os a “fenômenos naturais” ou aos “períodos sazonais climatológicos” associados às fortes chuvas.
Nada mais escroto e irresponsável!
Ninguém assume de fato sua porção de culpa nesses lamentáveis e previsíveis episódios evitando essas repetitivas tragédias mortais.
Há que se destacar que fenômenos naturais e períodos sazonais climatológicos ocorrem aqui, na Europa e nos Estados Unidos porém, com uma brutal diferença: lá o número de mortos é extremamente pequeno apesar dos danos materiais serem enormes.
Furacões, ciclones, tempestades e nevascas são episódios mais que naturais todos os anos em diversos países.
A grande diferença está no fato de como as populações são preparadas, como são ajudadas e como o estado põe em prática diversos mecanismos para minimizar os impactos negativos sobre a população.
Avisos pelos meios de comunicação, chamadas emitidas pelas defesas civis e
alarmes por meio de sinais, são os diversos modos que se lançam mão a fim de alertar as populações e mitigar os efeitos catastróficos.
Em diversas regiões do Brasil a ocorrência principalmente de fortes chuvas e os ciclones são também fenômenos mais que previsíveis porém, alcança sempre e com mais gravidade as camadas mais pobres do povo.
Casas incrustadas em morros, palafitas sobre rios e igarapés, moradias construídas aos pés de colinas e serras existem aos montes e continuam a serem construídas e incentivadas sob o olhar contemplativo das autoridades.
Todos, povo e autoridades, sabem que tudo está errado, que algo de grave pode acontecer e que existem medidas a serem adotadas para que tragédias previsíveis sejam evitadas.
Os últimos episódios ocorridos no litoral de São Paulo e aqui em Manaus recentemente os quais deixaram dezenas de mortos, dão a exata noção de como o lado mais frágil se encontra à mercê da falta de planejamento, da falta de responsabilidade dos organismos de controle social e legal e da ausência total de fiscalização do parlamento municipal.
Na maioria das vezes, os vereadores deixam de cumprir seus papéis de protetores do povo e fiscais do executivo, e, até incentivam invasões e ocupações irregulares de terra.
Essas ocorrências são verdadeiras tragédias anunciadas dado que as autoridades sabem onde o perigo e as irregularidades existem porém fazem vista grossa.
Quando tudo de ruim acontece aí acordam dos seus sonos tranquilos e confortáveis, vestem capas de chuva, põem aquelas indefectíveis jaquetas coloridas, calçam galochas, chamam a imprensa e seus assessores de comunicação e danam-se a posar para vídeos e fotos sobre corpos e escombros.
Algumas dessas autoridades sequer vão ao local e muitas vezes apenas sobrevoam as áreas atingidas em portentosos helicópteros para tirarem uma fotografia dentro da aeronave mostrando ainda os estragos causados nas áreas atingidas.
Mais ridículo e tragicômico impossível!
Fazendo um paralelo com as famosas Catilinárias dos discursos do Senador Romano Cicero pergunto: Até quando Catilina abusarás da paciência e da humildade do povo?
Até quando as autoridades públicas do parlamento e do executivo abusarão da nossa gente deixando-a abandonada ao relento e ao perigo?
Ou será que apenas estarão dispostas a repetir aquela lamentável frase dita por um ex prefeito de Manaus quando, interpelado por uma humilde moradora de um local onde as chuvas derrubaram barracos, disse: Então morra?!
Já está mais que na hora de essa gente criar vergonha e por em prática o plano diretor da cidade, construir moradias, retirar barracos e favelas de locais insalubres e perigosos e assentar o povo em locais seguros.
Té logo!
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