A JASP Comércio de Equipamento de Informática LTDA, empresa que funciona em um apartamento no conjunto Eldorado, em Manaus, foi a escolhida pela Prefeitura de Juruá para fornecer livros paradidáticos à rede municipal de ensino pelo valor de R$ 4.068.050,00 A contratação foi publicada na edição de quarta-feira (11) do Diário Oficial dos Municípios.
A empresa foi a vencedora do Pregão Presencial nº 001/2025. Segundo despacho publicado e assinado pelo prefeito Ilque Cunha de Lima. O contrato terá validade de 12 meses e prevê o fornecimento dos materiais para alunos da educação básica, por meio de registro de preços — permitindo aquisições conforme a demanda da Secretaria Municipal de Educação ao longo do ano letivo.
Inscrita na Receita Federal sob o CNPJ nº 12.663.839/0001-99, a empresa tem como proprietário Janiclei dos Santos Praia e capital social de apenas R$ 300 mil, ou seja, 75% menor que o do valor contratado.
Embora tenha no nome o comércio de equipamentos de informática, a atividade principal da empresa é a venda de livros. Além disto, como acontece em contratos suspeitos, onde as Prefeituras contratam empresas que fornecem produtos ou serviços de naturezas muito diferentes entre si, como informática, material escolar, alimentos, reformas, etc. — isso pode indicar algumas situações específicas. Algumas são justificáveis, outras levantam sinais de alerta sobre possíveis irregularidades.
A JASP, por exemplo, também realiza instalação e manutenção de sistemas centrais de ar-condicionado, de ventilação e refrigeração, vende artigos de armarinho, serviços de buffet, venda de calçados, equipamentos de informática e até limpeza de prédios.
Empresas faz-tudo são risco
Entre os motivos que merecem atenção a respeito da contratação de empresas faz-tudo, estão a falta de especialização real, já que empresas que “vendem de tudo” frequentemente não têm estrutura ou conhecimento técnico para entregar com qualidade.
Assim como a facilidade de fraudes e superfaturamento e atuação de empresas de fachada, já que muitas vezes essas empresas existem apenas no papel — funcionam em apartamentos, não têm sede física operacional — e são usadas para escoar recursos públicos de forma irregular. Ou ainda, se trata de licitações direcionadas, uma vez que editais podem ser feitos sob medida para beneficiar determinada empresa, mesmo que ela não tenha tradição no setor licitado.
No caso de Juruá, a contratação foi oficializada em 10 de junho de 2025. A reportagem aguarda contato da Prefeitura para saber o que motivou a contratação da JASP Comércio de Equipamento de Informática LTDA.

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