Em Manaus, comunidades indígenas escolhem seus professores

Dando provas do engajamento em ações pedagógicas diferenciadas e que refletem diretamente na qualidade da educação, Manaus é a primeira cidade do Brasil a trabalhar a educação indígena com professores escolhidos pela comunidade. Até o segundo semestre deste ano, a prefeitura irá realizar um processo seletivo com 39 vagas para pessoas das tribos que queiram ensinar sobre os costumes indígenas para as crianças.Atualmente, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) trabalha com 18 Centros Municipais de Educação Escolar Indígena (Cmeeis), que atuam no contraturno das escolas regulares localizadas nas comunidades rurais, ensinando mais sobre a língua materna, culinária, ervas medicinais, religião, costumes, entre outras manifestações culturais. Outros sete centros entrarão em funcionamento, a partir da convocação dos aprovados.

“Temos mais de dez mil anos de cultura ancestral e esse é mais um passo que se dá na preservação da nossa identidade indígena”, destaca o prefeito Arthur Virgílio Neto. “Além dos investimentos em infraestrutura, com obras de novas creches e centros integrados de ensino fundamental em andamento, nossa gestão tem mudado a forma de fazer educação. Valorizamos os professores e inovamos em ações pedagógicas”, completa.

A escolha dos profissionais que atuarão nas escolas e nos centros será por meio de assembleia com os membros das comunidades, em que serão indicados um professor e um suplente. A Gerência de Educação Indígena (Geei) está responsável por fazer a escolha e acompanhar as atividades desenvolvidas nas unidades.

De acordo com o gerente da Educação Indígena, Glademir Santos, os projetos realizados pelas escolas e pelos centros são elaborados pelos próprios professores, conforme a realidade de cada etnia. “A Prefeitura de Manaus tem a sensibilidade de perceber a necessidade em oferecer aos povos indígenas uma educação voltada para eles, por isso contamos com a participação do próprio povo da tribo, que conhece as suas tradições e costumes”, explica.

Ainda segundo Glademir, um dos maiores passos na educação indígena é a criação de minutas para a legalização do ensino em Manaus, para que as escolas e os centros sejam reconhecidos como parte estrutural da rede municipal com todos os direitos e deveres.

“A prefeitura reconhece, na prática, a importância das escolas e centros indígenas, mas precisamos legalizar esses espaços. Trabalhamos agora nas minutas referentes à educação indígena, que deverão ser entregues, até o segundo semestre, à Casa Civil e depois à Câmara Municipal de Manaus (CMM), onde serão votadas pelos vereadores”, informa. 

Desafio 

Para a professora Ynkysy Apurinã, que atua há seis anos no Cmeei Wainhamary, no conjunto Cidadão 12, zona rural, trabalhar a cultura e tradição indígena com crianças que estão afastadas da sua etnia é um desafio diário.

“Muitas crianças já estão distantes das suas tradições, porque os pais também já não têm mais os costumes e acabam se afastando. Essas crianças já frequentam escolas regulares e aprendem sobre o plano pedagógico da rede municipal, mas o apoio que temos da prefeitura é sensacional, porque garante que a cultura indígena não se perca com o tempo”, comentou Ynkysy, cujo nome significa arco-íris.

 Já o professor da escola indígena municipal Kanata T-Ykua, localizada na comunidade Três Unidos, Raimundo Kambeba, contou que a unidade pretende valorizar o conhecimento tradicional da etnia kambeba em conjunto com o currículo da Semed.

“Por meio dos projetos pedagógicos que a escola tem, começamos a trabalhar isso, principalmente para as crianças se sentirem bem por serem do povo kambeba, se sentindo feliz em conhecer seu direito à educação, saúde e melhoria de vida. Ter uma escola que trabalha o conhecimento tradicional do povo indígena é um grande avanço proporcionado pela Prefeitura de Manaus”, finaliza.

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