E se não fosse o SUS?

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Não sou daqueles que escamoteiam a verdade tampouco assumo a condição de catastrofista de plantão.
Em questão de saúde pública prefiro encarar os fatos que cristalizam a realidade a ter que fazer o papel de circunstancialista irresponsável colocando uma cortina de fumaça sobre os fatos sobretudo em meio à mais avassaladora doença dos últimos cem anos.
Já disse em outras ocasiões e repito: não está nada bem e o pior ainda não passou.
O cenário continua grave pois a pandemia sequer dá sinais de arrefecimento.
Desde o anúncio, com atraso, a OMS vem cometendo erros nesta pandemia ora, se omitindo ora, protegendo os causadores desse terrível mal o que provoca nos países e autoridades sanitárias uma série de dúvidas, recalcitrâncias  e decisões equivocadas.
A ciência luta na busca de algumas respostas e a medicina tateia na aplicação de um tratamento adequado ou de uma terapêutica que combata as morbidades que o vírus chinês tem provocado no organismo humano.
Não há medicamentos contra o vírus. O que existe são drogas que minimizam os efeitos deletérios da doença promovidos no organismo das pessoas e, muitas vezes, deixando sequelas passageiras ou definitivas.
Aquilo que seria a tábua de salvação para o controle da doença parece uma realidade palpável porém distante, dado que a imunização avança lentamente e não há vacina para todos.
Quando se pensava que havíamos transposto uma fase difícil aparece outra mais cruel trazida pela mutação genética do vírus com maior poder de transmissão e de letalidade.
Para piorar, assistimos autoridades políticas dificultando as coisas ora, negando os fatos ora, dando maus exemplos sobre a segurança sanitária da população.Desse jeito não vamos a lugar algum.
Pra sorte dos brasileiros possuímos o mais robusto programa de saúde pública do planeta que, em meio a toda sorte de dificuldades, apresenta três qualidades fundamentais: o SUS é gratuito, tem grande capilaridade e oferta uma gama de serviços que vão desde a atenção básica, passando pela média e alcançando a alta complexidade que trata a todos indistintamente apesar das notórias deficiências tais como capacidade instalada, equipes em quantidade suficiente e pouco treinadas e a falta de oxigênio e outros equipamentos e insumos básicos e estratégicos.
Nenhum país do mundo oferta tantos serviços públicos de saúde como o SUS brasileiro.
Não fosse o SUS, hoje o país com a mais absoluta certeza estaria pranteando mais de quinhentas mil mortes pela CoVid19.
Não fosse o SUS o colapso na saúde brasileira teria sido alcançado bem antes e em proporções gigantescas.
Certamente que o SUS não é tudo e nem pode tudo, porém, em comparação a muitas outras nações com economia, tamanho e problemas sociais iguais aos nossos, podemos afirmar que estamos num patamar bem melhor o que muitos teimam em ignorar e tripudiar.
Lamentavelmente temos que afirmar e encarar que tudo aquilo que a população amazonense enfrentou e vem passando em relação à pandemia, vai alcançar brevemente outros estados em proporções iguais ou piores.
Resta torcer para que os danos e as baixas sejam menores que as aqui vivenciadas e que aprendam com nossas falhas e erros.
O mundo vai ter que se preparar para conviver com a CoVid por décadas enfrentando uma verdadeira gangorra epidemiológica em que altos e baixos estarão presentes causados por surtos da doença mesmo com o avanço da imunização.
O mundo jamais será o mesmo em termos de economia, relações internacionais, o pensar sobre as ciências da saúde e sobretudo o comportamento humano em que a doença provocou enormes sequelas emocionais nas pessoas.
Avancemos pois para que tudo possa concorrer no sentido do encontro de soluções rápidas, adequadas e seguras no direito à vida e na proteção da saúde, um dos mais caros bens de um ser humano e da sociedade como um todo.
Não custa nada admoestar que mesmo vacinados ainda estamos sujeitos aos contágios da doença. Nenhuma vacina protege 100%.
Manter os cuidados sanitários individuais e coletivos ainda deve ser encarado como algo que protege e salva vidas.
Ajudemos pois para que o planeta retome a paz, o pleno emprego e as atividades econômicas e sociais com que estaremos dando um passo gigantesco rumo ao sossego de antes.
Té logo!

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