E as máscaras estão caindo

Nunca um acessório, ou como nós da área da saúde denominamos tecnicamente de Equipamento de Proteção Individual os famosos EPI, foram tão citados, mal utilizados, incensados e até execrados na história da saúde e da sociedade.

Poderia eu aqui, ao falar de máscaras, transitar entre o EPI propriamente dito e, como esse acessório foi tão massacrado politicamente, enveredar pelas máscaras no sentido etimológico porquanto, a palavra máscara, deriva dos termos árabes máshara ou maskharah que querem dizer personagem bufão/ridículo ou simplesmente palhaço.
Então, no sentido mais amplo da abordagem e do título deste artigo, vamos falar bem e mal ao mesmo tempo sobre as máscaras.
Antes de tudo, a alvíssara é de que muitas cidades mundo afora, já estão desobrigando o uso deste acessório. Brasil dentro!
De fato, uma série de fatores concorrentes, determinaram a que chegássemos a esse ponto de abandono, nos lugares abertos mas sem aglomeração, da utilização das máscaras.
A conscientização pelo seu uso permanente enquanto proteção para si e para os outros, a imunização que alcança níveis epidemiologicamente seguros e, a redução dos níveis de carga viral e das variantes mais virulentas que já não mais oferecem perigo, são fatores que, somados, levam a que as autoridades sanitárias recomendem o uso das máscaras apenas aos lugares fechados e nos ambientes de saúde ou quando houver presença maciça de gente em ambientes coletivos.
Logicamente que estamos no vigor de uma pandemia, já que a OMS ainda nem sinalizou para determinar que, sob uma visível queda nos níveis epidemiológicos, possa definir que estejamos vivendo uma epidemia.
Esse cuidado é extremamente necessário, a fim de que o planeta possa ir mais e mais se preparando técnica e cientificamente para quais atitudes e medidas sanitárias deverão ser adotadas, no sentido da proteção individual e coletiva, daqui pra frente.
Ainda levaremos tempo, até que esses estudos sejam aprofundados para que o mundo possa finalmente adotar mecanismos técnicos e sanitários de modo a prever surtos e evitar que uma nova pandemia de coronavírus se instale.
Logo, a prudência sanitária sempre deve estar acima das euforias desmedidas.
Autorizar atividades(carnaval, shows, espetáculos, eventos esportivos e culturais, etc.) que gerem aglomeração e sem os cuidados de proteção não farmacológicos, podem muito bem ressignificar uma retomada de surtos, porquanto, nada está encerrado em termos de pandemia do novo coronavírus.
Falando agora de máscaras no sentido semântico da coisa, nosso país começa a mergulhar de cabeça num período nebuloso.
O mundo político brasileiro, formado por governantes e parlamentares, adentra numa fase de inquietantes mudanças e ajustes.
Adesões, pernadas, traições, viradas de casaca, conchavos e até reatamento de amizades políticas, tudo daqui pra frente será perfeitamente e adequadamente possível num corre corre para salvar mandatos e proteger espaços nos cenários político e partidário.
Eles que são brancos que se entendam! porque o eleitor, cada vez mais ressabiado e astuto, sabe muito bem quem é quem no jogo do bicho ou quem troca de máscaras ou deixa-as cair, desnudando o caráter e a personalidade de cada um.
Das muitas novidades nesse intricado jogo de xadrez, vêm aí as tais federações partidárias, em que a união indelével de um ou mais partidos, determina, obrigatoriamente, que deve perdurar por uma legislatura inteira e, quem sair fora, perderá o mandato.
Vergonha mesmo, é o imoral fundo eleitoral de quase 5 bilhões de reais a irrigar as contas dos partidos e a volta dos programas eleitorais gratuitos no rádio e na TV a fustigar a paciência do eleitor, obrigado a ouvir mentiras, abobrinhas e xingamentos nos meios de comunicação.
As máscaras teimarão em cair e, antes que elas sejam repostas pelos seus usuários, que, no mesmo instante, fotografemos na nossa memória eleitoral cada um dos políticos, muitas vezes, useiros e vezeiros em praticar estelionato eleitoral, roubando, malversando, desviando, corrompendo e sendo corrompido e levando o país à bancarrota.
Té logo!

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