Doa a quem doer, é a minha opinião

Por Dauro Braga*

Com um misto de horror, indignação e tristeza assisti da janela do meu apartamento a dança diabólica e assassina das labaredas consumindo humildes moradias do bairro dos Educandos aqui de Manaus.

As condições de moradia sub-humanas a que é submetida grande parte da nossa população mais humilde a despeito de vivermos num dos estados da federação que ainda tem uma relativa prosperidade em função da nossa combalida Zona Franca de Manaus, é inadmissível, pois com tanto dinheiro arrecado com a cobrança de impostos, se esses recursos fossem administrados com um critério justo, competência e lisura, obedecendo uma escala de prioridades pré-estabelecida, não seríamos obrigados a conviver com cenas tão macabras como essa, pois com certeza haveria dinheiro sobrando para a construção de moradias mais condignas para essa gente humilde.

Senhores gestores da coisa pública, contemplem agora o cenário de destruição produto do descaso de sua administração irresponsável e criminosa e vejam como ficou o lugar onde antes moravam pessoas pobres, mas também sonhadoras, que esperavam passar um Natal feliz ao lado dos seus familiares, e que hoje, caminham atordoadas e sem rumo certo no meio dos escombros daquilo que era um aglomerado de simples palafitas, porém um porto seguro que os abrigava das intempéries da natureza.

Senhores administradores públicos, a hora é mais do que oportuna para V. Excelências retirarem das cinzas que restaram das humildes palafitas, as lições reflexivas de suas administrações do passado e do presente, cabe a quem for o culpado colocar em sua própria cabeça a carapuça se ela lhe for devida , e se conscientizarem de que, a construção de palácios suntuosas e obras faraônicas podem até lhes render votos e dinheiro, mas não lhes dá a sensação plena e gostosa do dever cumprido.

Perdulariamente constroem suntuosos templos onde são instaladas novas repartições públicas com a finalidade de executar e fiscalizar as mesmas tarefas que já pertencem a outras, quando se sabe que a finalidade precípua desses palácios é abrigar os apadrinhados políticos para desempenharem funções nada justificáveis. Essa dinheirama aplicada criteriosamente poderia viabilizar a construção de moradias mais condignas para a população carente e assim evitar a consumação de tragédias previamente anunciadas como foi essa que aconteceu no bairro dos Educandos.

Esse infausto acontecimento serviu para demonstrar aos incrédulos que quando Deus quer, o mal maior é evitado. A prova disso é que as pessoas perderam todos os seus bens, mas o bem maior que é a vida, essa foi preservada, nenhuma pessoa foi vitimada fatalmente.

Um outro fato que ficou bem delineado para àqueles que costumam dizer que empresário só pensa em lucrar, sonegar impostos e explorar o trabalhador, foi o gesto grandioso e nobre que foi praticado pelo grupo Bemol através de seu mandatário número um, o amigo Jaime Benchimol, que resolveu doar todo seu est que de colchões, colchonetes e roupas de cama, mesa e banho aos infelicitados. Com esse gesto altruísta, o grupo e seus dirigentes ganham incontáveis dividendos no reino do Pai, que com certeza irão superar em muito os eventuais lucros que iriam ganhar com a venda desses materiais. Parabéns grupo Bemol, se vocês já eram grandes no conceito da nossa população, com esse gesto cresceram muito mais ainda. Um outro fato que engrandece o setor empresarial foi a atuação oportuna da nossa vetusta ACA (Associação Comercial do Amazonas) que capitaneada por seu presidente o companheiro Ataliba David Antonio Filho e sua diretoria, convocaram o empresariado local à participar das inúmeras campanhas de doação para suprir as dificuldades desses irmãos infelicitados, tendo os mesmos não se furtado a participar dessa nobre missão. Muito expressiva e de grande valia tem sido as ações desenvolvidas pelas igrejas, associações de classe e de incontáveis voluntários que embalados pelo sentimento do amor ao próximo se engajaram nesse grande mutirão de solidariedade humana, demonstrando dessa forma que o povo amazonense é solidário ao seu irmão, quando o mesmo lhe bate à porta clamando por socorro.

Que esse fantástico exemplo de amor e solidariedade humana possa contagiar os nossos políticos e motivá-los a estender a mão ao irmão para socorre-lo, e não somente, para pedir-lhe o voto em época de eleição.

Doa a quem doer, essa é a minha opinião!

 

*O autor é empresário (daurofbraga@hotmail.com)

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