Depois de assalto e comida vencida, cachaçaria tenta refazer imagem com estratégia errada

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dedé

Sou frequentador antigo da “Cachaçaria do Dedé”, desde que era uma pequena empresa instalada na rua do Comércio do conjunto Castelo Branco, bairro Parque 10. Costumava frequentar o local com a família para comer um pastel ou uma carne de sol, ainda na década de 90. O negócio prosperou, cresceu muito e gerou várias unidades. Fruto, claro, do trabalho árduo de seus sócios. Nos últimos meses, entretanto, a empresa frequentou o noticiário policial e acabou flagrada pela Anvisa armazenando produtos vencidos.

Pois bem, esta semana a unidade do shopping Manauara foi reinaugurada, depois de algum tempo fechada. E a primeira iniciativa dos proprietários foi convidar jornalistas para uma degustação das novidades e para uma sessão de exibição da marca, da história e dos compromissos da empresa.

Fica muito claro que o grupo sentiu o golpe e quer se recuperar. Trata-se de uma estratégia ultrapassada, que só gera dinheiro para empresas de assessoria e não traz o cliente de volta.

A cachaçaria precisa trabalhar com o que tem de mais emblemático: a sua tradição. Do jeito que fez, parece estar querendo encobrir o sol com a peneira.

Em tempos de redes sociais, a marca tem que ser reforçada com o depoimento dos clientes, e não com releases e notas plantadas na imprensa.

Relembro aqui um episódio marcante da história do jornalismo local. Na década de 70, um jornalista foi mal atendido na Confeitaria Avenida, a mais badalada rotisserie da cidade. Ele chegou ao jornal contrariado e escreveu em sua máquina de datilografia uma nota genial e fulminante, que dizia: “Não é verdade que o confeiteiro da Confeitaria Avenida tenha contraído lepra”. Sem uma estratégia correta de reação, o estabelecimento nunca mais foi o mesmo e acabou fechando.

Pior para a cachaçaria é que, no caso da Avenida, o fato não existia.

Portanto, meu caro Dedé, coloque seus clientes de sempre para atestar a qualidade do seu produto. E eu sei que são muitos. São eles que vão salvar o seu negócio. É assim que se reverte uma maré de azar e se debela uma crise de imagem.

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