Delegado lança suspeita sobre envolvimento de policiais de Coari no desaparecimento de Garcez

“Delinquentes covardes que trabalham na Delegacia de Coari contribuíram enormemente para o desaparecimento/morte do nosso amigo Garcez e ainda estão agindo com toda audácia, mesmo após sua morte trágica”. O desabafo, feito em um grupo de delegado de Polícia, é do titular da 10ª Delegacia Regional de Polícia, sediada naquele município, Mauro Duarte.

Segundo ele, uma sequência de fatos envolvendo o desaparecimento de armas da Delegacia, investigados pelo delegado Thyago Garcez, teriam sido os motivos que levaram à sua morte.

Duarte diz que, no dia 2 de setembro do ano passado, quando retornou das férias, percebeu o desaparecimento de duas espingardas e mais de 300 munições de diversos calibres, sem que o gabinete houvesse sido arrombado. “De imediato desconfiei de dois suspeitos, pois ambos tiveram acesso a chave de meu gabinete, mas centrei minhas desconfianças sobre o mais graduado deles”, diz, sem citar nomes.

O fato só não foi devidamente apurado porque, segundo o delegado, o juiz Fábio Alfaia, da Comarca de Coari, não concedeu o mandado de busca e apreensão necessário. No início de novembro, novo “desaparecimento”, desta vez de uma submetralhadora. Também não houve arrombamento. Só que desta vez, foi aberto um inquérito, sob a responsabilidade de Garcez, para apurar o fato. “A autoria desse fato já estava praticamente elucidada, pois somente faltava ser colhido meu depoimento e depois elaborar o relatório indiciando o suspeito, o que motivou o Garcez a ir ao Rio Solimões atrás da lancha furtada e que resultou na grande apreensão de droga e sua morte. Antes dele ter ido atrás da lancha, ainda insisti com o mesmo para que não desviasse o foco de sua missão: concluir o IP sobre o desvio da arma da DEP, pois os canalhas que fizeram isso foram os mesmos que subtraíram as armas e munições do meu gabinete”, diz.

Para respaldar sua versão, de que policiais delinquentes estão agindo na Delegacia de Coari, Duarte revelou que, no último dia 14, para completar, cerca de 1 kg de maconha sumiu da sala dos investigadores. Três dias depois, a chave de uma viatura S10 que estava sobre a sua mesa desapareceu.

Na última terça-feira, 31, uma porta de uma sala na Delegacia foi arrombada e novamente desapareceram armas e drogas, ainda a ser contabilizadas. Logo em seguida, ele foi ao próprio gabinete para ver se havia arrombamento “Para a minha surpresa e de dois servidores que me acompanhavam nessa diligência, a chave da viatura S10 foi encontrada sobre a mesa desse gabinete. Detalhe: até onde eu sei, apenas eu tenho a chave do gabinete da DEP, mas creio sinceramente que os delinquentes covardes também têm essa chave. E vão continuar tendo, pois me recuso a trocar o miolo dessa fechadura, vez que era objeto do I. P. que o Garcez estava presidindo”, diz Duarte.

“Resumindo: os delinquentes covardes responsáveis pelos desaparecimentos acima citados fazem parte de uma mesma gangue e, indiretamente, são também responsáveis pela morte do Garcez, pois este jamais teria ido ao Rio Solimões atrás de uma lancha furtada se ele não tivesse sido designado para apurar o desvio da submetralhadora do gabinete da DEP, cuja porta e janela sequer foram arrobadas”, conclui.

Veja o registro feito na Delegacia Interativa:

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