De soldado a coronel: a história do oficial da PM que desafiou até um governador

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Chegou ao maior posto da Polícia Militar esta semana o oficial Wilson Marques. Ele, que começou como soldado e construiu uma raríssima trajetória na corporação, agora é coronel. Em 2016, ainda major, foi exonerado pelo então governador José Melo (PROS) do posto de comandante da 8ª Companhia Independente de Polícia Militar, em Iranduba, porque disse à população, em reunião na feira da cidade, que as condições de trabalho dos policiais ali eram precárias.

Marques entrou na Polícia Militar como praça, em 1989. Está, portanto, há 30 anos na corporação. Cinco anos depois de iniciar a carreira, muito estudioso, ele conseguiu passar no concurso para oficial. O fato é muito raro e gera muita resistência dentro dos quartéis. Há uma espécie de barreira imposta pelos oficiais, para que os praças subam na hierarquia e construam uma carreira sólida no “andar de cima”.

Por isso, Marques teve que fazer quase uma loucura. Como a corporação não queria enviá-lo à academia para fazer o curso preparatório necessário para ingressar no oficialato, ele montou uma espécie de plantão no Palácio Rio Negro, para tentar uma audiência com o então governador Amazonino Mendes. Passou dois dias praticamente sem se alimentar, à espera da um momento para contar sua história e pedir para ser aceito como oficial.

Depois de muita espera, o secretário particular do governador, Iomar Oliveira, comoveu-se com sua persistência e conseguiu encaixá-lo, entre uma audiência e outra, para alguns minutos com Amazonino, que autorizou o auxiliar a encaminhar o assunto com o comando da PM.

A persistência valeu a pena. Marques construiu, dentro da PM, uma carreira focada no policiamento de rua. “Nunca quis ficar em escritório ou à disposição de algum órgão ou autoridade. Meu negócio sempre foi o operacional”, diz ele.

Inquieto, Marques chegou a apresentar programa de televisão – foi uma espécie de precursor de uma atividade paralela que hoje vários praças e oficiais exercem em redes sociais. Também tentou ser vereador em Manaus e chegou a coordenar algumas campanhas políticas, por puro idealismo. Em 2012, por exemplo, foi ele quem coordenou a campanha do então candidato a prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) na zona Leste de Manaus. “Não ganhei nada com isso. Nem pedi. Queria uma cidade melhor”, afirma.

Idealista, sempre procurou colocar a missão acima da ambição. Por isso, chega a coronel sem máculas no currículo. “E vou sair assim, pode apostar”.

O episódio emblemático de 2016 o inspira. “Eu fui sincero. Disse ao povo que os policiais faziam milagre. Imagine que eles tinham que abastecer as viaturas em Manacapuru. Veja se isso tinha lógica. Aquele governo não poderia dar certo. Era um absurdo. Mas o tempo mostrou quem tinha razão. Hoje eu continuo na corporação e chego ao posto mais alto da carreira e ele (José Melo) está em casa com uma tornozeleira eletrônica”, conclui.

Qual Sua Opinião? Comente:

Este post tem 2 comentários

  1. Anônimo

    Nunca desista dos seus sonhos!

  2. Martinelli

    Bem, em primeiro quero agradecer a Deus pelo força interior que Ele dispensou aos homens de nossa singela família.

    Agradeço a Deus pela honra do meu primo que Eu vi e vivenciei muitos momentos com ele, momentos de luta, momentos de desilusão. Mais, como sabemos, o velho ditado popular; Nem todos que tentaram conseguiram, mais os que conseguiram foi pro que tentaram. O Wilson foi um tentador orientado por Deus e com o afinco de um jovem humilde com o gosto de vitória a todo instante em sue paladar e em sua vida sofrida.

    Finalizo, agradecendo a Deus e parabenizando o Wilson , Cel. Wilson.

    Um guerreiro destemido .

    Deus o abençoe mais e mais meu primo.

    Saiba que te amamos .

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