David se lança candidato a governador e elege Wilson e Omar como seus alvos prioritários, fazendo defesa de assessora e considerando operação Erga Omnes “tão autêntica como uma nota de R$ 300”

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), devidamente trajado com a camisa laranja que caracteriza suas campanhas políticas, anunciou hoje que será candidato a governador do Amazonas e escolheu seus alvos preferenciais: o governador Wilson Lima (União), a cuja gestão dirigiu várias críticas, e o senador Omar Aziz (PSD), que segundo ele tentou intimidá-lo. Com um discurso muito duro, ele atacou a Operação Erga Omnes, deflagrada na última sexta-feira (20). sugerindo que ela teve motivação política. Afirmou inclusive que a agência de viagens alvo da Polícia por suposta ligação com a facção criminosa Comando Vermelho teria sido indicada a ele pelo vice-governador Tadeu de Souza (Progressistas), que já pode ser considerado agora um ex-aliado.

Logo no início, o prefeito ironizou a operação. “Essa operação chamada Erga Omnes é tão autêntica quanto uma nota de R$ 300”, disse. Segundo David Almeida, a ação foi anunciada como combate ao tráfico de drogas, mas não apresentou resultados práticos compatíveis com esse objetivo. “Era contra o tráfico de drogas, mas não prendeu um traficante, não aprendeu nada. Queriam apenas sujar meu nome”, declarou.

“Que culpa eu tenho de comprar uma passagem em uma agência de viagens indicada pelo vice-governador Tadeu de Souza?”, questionou, deixando claro que os dois já não se entendem mais. Disse ainda que sua ex-chefe de gabinete, Anabela Cardoso, é acusada de gastar com passagens um valor que cabe no orçamento dela, relacionando as fontes de renda dela para comprovar a avaliação.

David foi muito duro especialmente com Wilson Lima, a quem acusou de instrumentalizar o Estado para persegui-lo e intimidá-lo. Também desfilou críticas à gestão, dizendo que o governador não construiu nenhum hospital ou maternidade em dois mandatos, além de lembrar o desempenho ruim na educação e atacar a Segurança, que segundo ele não tem moral com traficantes. “Segundo o STJ (Superior Tribunal de Justiça), o governador do Amazonas é o chefe de uma organização criminosa”, atacou.

O discurso foi cheio de frases de efeito direcionadas aos adversários. “Nenhum forasteiro vai nos dizer o que fazer. Quem vier morar aqui para trabalhar e colaborar com o Estado é bem vindo, mas o Amazonas é dos amazonenses”, afirmou, lembrando que Wilson estava no Estado há dez anos quando foi eleito pela primeira vez. O governador é paraense de Itaituba

Outro ponto levantado por David Almeida foi o fato de, segundo ele, já ter sido informado meses antes sobre a existência da operação. O prefeito afirmou que, em 24 de outubro de 2025, na casa do senador Omar Aziz, teria sido alertado de que a ação ocorreria.

“Eu soube dessa operação em outubro do ano passado. Me mostraram que essa operação iria acontecer”, declarou.

Para o prefeito, o episódio configurou uma tentativa de intimidação. “Não adianta me intimidar. Manaus não elegeu um covarde”, afirmou.

Sobre Omar, aliás, ele disse que trata-se de “um bom senador”. E arrematou: “Precisamos deixá-lo em Brasília porque como governador ele não foi bom”.

Das grandes lideranças locais ele só poupou o senador Eduardo Braga (MDB), a quem disse que seu grupo vai apoiar.

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