Cúpula da Polícia se manifesta dizendo que trabalho é isento, mas polarização política influenciou na confusão que envolveu deputada e delegada (veja vídeo)

A cúpula da Polícia Civil manifestou-se ontem, em vídeo, procurando demonstrar que desempenha um trabalho apolítico e aceita a colaboração de qualquer corrente ideológica, mas o blog apurou que o conflito que envolveu a deputada Débora Menezes (PL) e a delegada Joyce Coelho, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) teve como pano de fundo a polarização política que agita o país. A parlamentar, muito ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é de direita, enquanto a policial tem inclinações à esquerda.

A deputada foi apresentada à delegada por um delegado amigo das duas. A parlamentar o tinha procurado para dizer que tinha interesse em se aproximar da policial para ajudar no trabalho da Delegacia, já que tinha no combate à pedofilia uma de suas bandeiras mais destacadas. Houve aquiescência e as duas conversaram. Em seguida Menezes fez uma série de movimentos para aportar recursos na Depca e passou a acompanhar mais de perto o trabalho dos policiais, chegando a participar de operações.

O que começou a incomodar a delegada foi o fato da deputada passar a participar das entrevistas coletivas, assumindo certo protagonismo, com o consentimento da cúpula da Polícia. Ela começou a ser criticada por colegas que também se posicionam à esquerda do espectro político e viu crescerem nas redes sociais manifestações condenando a politização do trabalho da Polícia. Foi quando decidiu romper com a parlamentar, negando-se a participar de novas entrevistas ao lado dela e dizendo-se desrespeitada.

O primeiro a reagir na cúpula da Polícia Civil ao episódio foi o delegado geral adjunto Guilherme Torres. Ele afirmou que a corporação tinha compromisso com a autonomia e a eficiência, independentemente das convicções políticas dos envolvidos. “O trabalho e a autonomia da polícia estão acima das discussões ideológicas”, afirmou. Outros delegados se manifestaram defendendo Joyce Coelho, entre eles João Tayah, que já disputou eleições por partidos de esquerda, como o PSol, e Costa e Silva, delegado filiado ao PL que se opõe a Débora Menezes dentro da legenda.

Neste momento os dirigentes da PC tentam chegar a um acordo entre as partes para evitar maiores prejuízos ao trabalho da Depca.

Veja o vídeo publicado ontem:

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