Por Ricardo Gomes*
Na grande maioria das soluções dos problemas, a solução não “cai do céu”, no caso da falta de energia em Iranduba e Manacapuru, cai: o Sol, que não é nenhuma tecnologia da NASA é o caminho e obviamente estamos falando de energia foto voltaica (ou solar se preferir).
Difícil crer que não haja vontade (ou inteligência) política para conceber um plano emergencial que em pouquíssimas horas (sim, Iranduba e Manacapuru ficam há – no máximo – duas horas de Manaus) colocassem varias placas solares, que já estão em Manaus, nessas duas cidades, permitindo assim, que, ao menos em parte, hospitais e UBS funcionassem e evitaria a perda de medicamentos, leite materno, bolsas de sangue, vacinas; no mesmo sentido escolas e creches, que além de perdas de aulas estão perdendo gênero alimentícios e inviabilizando a vida de milhares de famílias .
A AFEAM tem uma linha de crédito especial para financiamento de sistemas fotovoltaicos, que nesse momento já deveria ter socorrido essas duas cidades e sem risco: basta aprovar nas duas câmaras uma retenção de parte do ICMS, com isso não há riscos de inadimplência .
A mesma linha de crédito e os mesmos sistemas de energia solar poderia estar sendo disponibilizado aos servidores públicos Estaduais e Municipais dessas duas cidades, pagos através de consignação, minorando o sofrimento de milhares de famílias.
Outro nicho que pode ser contemplado através de operações menos burocratizadas é o setor primário, sem energia para bombear água para irrigação, nesse calor imenso, com riscos à safra, principalmente de verduras, justamente nos dois municípios que mais produzem, com impactos imediatos na mesa do Manauara.
Iguais medidas já deveriam ter sido adotadas para os pequenos e médios negócios, principalmente os comércios, responsáveis pelo emprego de mais de 70% da mão de obra dessas cidades.
É visível que falta visão e experiência prática aos que já deveriam ter agido, mas não agem, provavelmente por que não moram em Iranduba, nem em Manacapuru, e, por não sentirem na pele as consequências da péssima prestação de serviços da concessionária (Que já deveria ter sido exaustivamente autuada, multada e processada por danos coletivos impossíveis de serem mensurados), não agem firmemente, já que, ao fim dos dias, voltam para suas casas, em Manaus e dormem tranquilos em quartos à 19 graus com água gelada na cabeceira.
É lamentável notar que o abandono não é só material ou de energia, é também de iniciativa e sensibilidade, a não ser a protocolar, que se esgota as 17:00, no fim do expediente, enquanto 150.000 pessoas, literalmente, vivem no inferno.
*O autor é advogado, consultor e professor universitário
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