O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), afirmou hoje que a paralização do sistema de transporte coletivo, ocorrida ontem em Manaus, se deveu a uma dívida do Governo do Amazonas com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado (Sinetram), no valor de R$ 90 milhões, referente ao passe livre estudantil. Poucas horas depois o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) informou que desde maio tenta pagar a dívida e que depositará hoje na conta da entidade R$ 18 milhões, que é o que o Estado entende dever. Só que, em ação que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, uma outra dívida, de R$ 190 milhões, é cobrada da Prefeitura. Nada indica que o impasse será resolvido de imediato.
Segundo Renato, a Prefeitura não tem dívidas com o Sinetram. Ele apresentou recibos de depósitos bancários no valor total de R$ 285 milhões, que é o que foi repassado este ano à entidade, referente ao subsídio do transporte coletivo. E desafiou o governador Roberto Cidade (União) a cumprir decisão judicial que o obriga a pagar sua parte do subsídio para bancar o passe livre estudantil. “Os empresários querem tirar este direito dos estudantes da rede estadual, mas eles residem e estudam em Manaus e como prefeito não vou permitir que isso aconteça”, afirmou.
Diante da ausência de Cidade, que cumpre agenda institucional fora do Estado, soube a Serafim dar a resposta. Ele admitiu a dívida, mas ressaltou que desde maio o Estado tenta pagá-la, mas o Sinetram não quis receber. É que os empresários entendem que o Governo deve pagar pela tarifa técnica, que é de R$ 8,00. Isso daria um total de R$ 90 milhões desde fevereiro. A Procuradoria, entretanto, entende que a tarifa a ser paga é a da meia passagem, ou seja, R$ 2,50. Com base nisso o vice-governador disse que determinou o depósito de R$ 18 milhões na conta da entidade de classe, mesmo que ela se negue a receber.
As consequências dessa troca de acusações são imprevisíveis. Os dirigentes do Sinetram já declararam que preveem uma situação caótica no transporte coletivo de Manaus diante do impasse. Em ação que tramita no TRT-1, eles cobram R$ 190 milhões de atrasados também da Prefeitura.
O que restou claro é que os empresários estão apoiando o movimento dos trabalhadores e até incentivando a paralisação, porque entendem que desta forma vão dar andamento às negociações.
E ainda como pano de fundo estão as eleições de outubro. Às vésperas da Convenção que consagrará o ex-prefeito David Almeida (Avante) como candidato ao Governo do Estado, uma greve de ônibus não ajuda a criar o clima perfeito.
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