A grande maioria das cooperativas médicas que atuam nas unidades de saúde de Manaus estão com seus pagamentos atrasados desde agosto do ano passado e já não têm caixa para continuar pagando os médicos, que temem um calote por parte do governador Wilson Lima (União), se este realmente renunciar para ser candidato a senador. “Nosso grande receio é que ele saia sem pagar e o novo governador queira renegociar ou até interromper os contratos. Aí será o caos”, afirma o diretor de uma dessas empresas, que pediu anonimato temendo represálias.
O problema afeta algumas das principais unidades de saúde da capital. As novas empresas contratadas para administrar hospitais como o 28 de Agosto e o Platão Araújo têm atuado com limitação de profissionais, segundo os cooperados. Isso faz com que os atendimentos sejam reduzidos e os pacientes não atendidos encaminhados para hospitais, UPAS e SPAs aonde atuam pelas Cooperativas Médicas.
O problema maior hoje é que, devido aos atrasos, as Cooperativas não estão sequer conseguindo cumprir uma cláusula de seus contratos com o Governo do Estado que prevê a manutenção de um caixa preventivo para casos excepcionais. “Enquanto os pagamentos fluem, a gente consegue ir pagando os profissionais, mesmo que não seja o salário cheio. Mas com tanto atraso não conseguimos manter o fluxo de caixa”, explica a fonte.
O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) para denunciar o agravamento da crise na saúde pública do Estado. O parlamentar disse que médicos do Hospital e Pronto-Socorro da Criança Zona Sul, que estariam há cerca de oito meses sem receber salários, vão paralisar as atividades.
Para Wilker, a situação é inadmissível e escancara o descontrole na gestão dos recursos públicos. Segundo ele, a paralisação impacta diretamente crianças que dependem de atendimento especializado.
O deputado também confrontou os números apresentados pelo Governo do Estado, que indicam investimentos bilionários na saúde. “Para onde foi o dinheiro do governo? A saúde está em colapso, a segurança pública está em colapso, a educação está no fundo do poço!”, reforçou.
Durante o pronunciamento, Wilker voltou a alertar para a situação crítica da UPA do município de Tabatinga. De acordo com o parlamentar, os profissionais terceirizados da unidade estão há cinco meses sem receber salários, e há relatos de que trabalhadores da enfermagem também estudam paralisar as atividades.
O deputado destacou ainda denúncias de que a reforma da unidade estaria sendo realizada de forma desorganizada, com mistura de pacientes e sem planejamento adequado, agravando o risco à população.
“A saúde do Amazonas hoje é um paciente terminal, mas o que mais me entristece são os bilhões que são gastos anualmente. A pergunta é: para onde está indo esse dinheiro?”, questionou o deputado.
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