Comunidade de Santa Cecília-75 Anos

Contava eu com aproximadamente dez anos de idade quando despertei para a fé católica no sentido do engajamento comunitário.

A partir daí, veio o envolvimento mais efetivo com as coisas da igreja lá na minha paróquia de Santa Rita no bairro da Cachoeirinha.

Entretanto, foi na capela/comunidade de Santa Cecília, padroeira dos músicos, fincada na confluência das ruas Borba e J. Carlos Antony, onde cresci na fé e me envolvi de modo mais longo e dedicado.

Ali, naquela porção do meu amado bairro da Cachoeirinha, experimentei vivamente o que é participação, doação, envolvimento e sobretudo partilha na fé e no trabalho comunitários. Cheguei a ser, por um curto período, coordenador da comunidade.

Em Santa Cecília, pude vivenciar o quão eloquente era o compromisso de cada jovem, adultos e idosos na construção física da capela e no crescimento espiritual comunitário.

Minha memória volta algumas décadas atrás quando aquela capela era somente paredes com pouco mais de um metro de altura tomada pelo mato e sem muros.

De repente, num despertar movido pelo Espírito Santo, homens e mulheres e suas famílias, comerciantes, donas de casa, profissionais liberais entre outros, juntam-se em desobriga e decidem arregaçar as mangas para concluir a construção da capela.

Reuniões, orações, novenas, arraiais, bingos, sorteios, tudo era organizado para levar adiante essa tão sonhada empreitada e dar abrigo mais condizente à nossa santa padroeira e sobretudo animar a fé inabalável daquela gente.

Ao nominar muitos dos baluartes dessa quase saga, minha memória pode ser traída ao esquecer de alguns.

Mas não poderia deixar de lembrar dos homens de proa como Antônio Veiga, Aluysio Silva, Antônio Carlos Maciel, Euzir Farias, Cabral, Ciro, Orlando, entre tantos outros.

A comunidade avançava no trabalho e na fé  num processo que alimentava e sustentava a esperança pela conclusão das obras.

Lembro que demoramos mais de duas décadas até que paredes, reboco, muro, piso, teto, pintura, altar, sacristia e nicho da padroeira ficassem prontos.

Meu saudoso pai, Seo Sandoval, eletricista dos bons, também deu sua parcela de colaboração no seu mister profissional.

Cada tijolo e cada ladrilho assentados, cada pincelada na parede, cada banco construído e cada lâmpada ligada, nutriam a inabalável capacidade de doação dos comunitários.

Nos festejos juninos e em novembro, mês da padroeira, a comunidade era animada com o famoso arraial.

Os jovens saíam de casa em casa, de comércio em comércio a pedir doações para vender nas barracas e, com o dinheiro arrecadado, ajudar na continuidade das obras da capela.

Durante a semana, a luta era capinar o terreno em volta da igreja para a construção das barracas. Só que pegava no pesado sabia quão doloridas eram as ferroadas das formigas de fogo que ali estavam faziam morada.

Mulheres guerreiras de fé e de trabalho como D. Liney, D. Maroquinha, D. Abigail, D. Lucília, D. Juliana, D. Marilza, as quais pontificavam nas barracas dos doces, do churrasco, do tacacá e das guloseimas.

Mesmo quem doava algo, se sentia comprometido em comprar os quitutes num gesto exemplar de compromisso e zelo para com as coisas da comunidade.

Não posso deixar de citar os grandes benfeitores espirituais daquela pequena e animada comunidade de Santa Cecília.

Foram padres e freiras, párocos e vigários que deixaram marcas indeléveis na vida da comunidade.

Lembro dos Freis Laurindo, Izidoro, Saturnino, José Luiz e das irmãs franciscanas Martina e Guilhermina que muito contribuíram na animação espiritual daquela parte do bairro.

Como deixar de lado a participação dos jovens engajados nos trabalhos comunitários por meio dos grupos de jovens especialmente do JUCA, JOCA e MRC?

O inesquecível Festiva de Música Cristã-FMC, organizado pelos jovens, tendo inclusive um dos certames sido realizado dentro da própria capela, cujas receitas também ajudavam na construção do templo. Quanta lembrança memorável!

Ao completar sete décadas de existência, a Comunidade de Santa Cecília pode se orgulhar por saber que nasceu, cresceu e vive sob os auspícios da mais verdadeira animação espiritual.

Lembro, quando mudei para um bairro bem distante, continuei a frequentar as missas dominicais em Santa Cecília sempre às 07:30.

Meus filhos, Thalita e Thales, ainda crianças, vinham dormindo no carro e continuavam a dormir ora no colo ora no banco da capela e ali, eles deram os primeiros passos na fé cristã católica.

Sou absolutamente grato a Deus e a Santa Cecília pelas bençãos derramadas por sobre minha família.

Quando ali retorno anualmente para a famosa procissão no dia 22 de novembro, festa da padroeira, experimento entres outras benfazejas sensações, o reencontro com amigos de infância, a doce e terna lembrança da minha vida de comunitário e, sobretudo, o caminhar em procissão que revigora a alma e alimenta o espírito.

O que que sustenta a fé e desenha de modo inextinguível o caminho para mais sete décadas daquela comunidade, é a unidade, a harmonia, o olhar especial de Santa Cecília e, sobretudo, a poderosa mão de Deus a agir por sobre cada um e cada uma que estão engajados e perseveram na caminhada na atualidade.

Parabéns Comunidade e viiiiivvvvaaaa de Santa Cecília!

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