Comitê que monitora o clima no AM prevê muita chuva para março e abril, além de cheia perto dos 30 metros para o rio Negro

Durante reunião do Comitê Técnico-Científico do Governo do Amazonas (CTC/AM) hoje, o professor e doutor em meteorologia Francis Wagner Silva Correia, coordenador do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apresentou análises atualizadas sobre o comportamento do clima indicando que, em dezembro de 2025, o Amazonas registrou chuvas 10% acima da média histórica. Em janeiro de 2026, o índice ficou 10,5% superior ao normal. E em fevereiro houve redução de 7,4%.

Ainda sob influência da La Niña, a tendência de volumes elevados de chuvas deve se manter em março e abril. Em relação ao comportamento dos rios, a projeção indica uma cheia acentuada, porém dentro dos padrões históricos em Manaus. A estimativa é que o Rio Negro atinja 29,50 metros em julho. Como comparação, o nível máximo histórico de maior cheia, em 2021, foi de 30,2 metros

Ele explicou que o Pacífico Tropical passa por uma transição do fenômeno La Niña para o El Niño, a partir de julho de 2026. E o CTC /AM permite que gestores públicos se antecipem a eventuais mudanças no regime de chuvas da bacia amazônica.

“É de fundamental importância essas informações do prognóstico hidrológico e climático feito pelo Labclim para que o comitê possa orientar os gestores e tomadores de decisão em antecipar as ações para minimizar e mitigar os impactos, associados com a enchente deste ano no estado do Amazonas”, explicou o Dr. Francis.

Durante a reunião, a diretora-presidente da Fapeam e coordenadora do CTC/AM, Márcia Perales Mendes Silva, destacou a importância dos conhecimentos técnicos e científicos que fortalecem o Comitê e suas Recomendações ao Comitê Permanente de Mudanças Climáticas.

“O CTC/AM é uma rede colaborativa que vem atuando de forma bastante precisa. Seus comitentes são profissionais e pesquisadores que acumulam conhecimento, experiência e compromisso com o enfrentamento das mudanças climáticas no Amazonas, o que é muito nos orgulha”, ressaltou Márcia Perales Mendes Silva.

Monitoramento contínuo e ações preventivas

O tenente do Corpo de Bombeiros Charlis Barroso da Rocha, da Defesa Civil do Estado, apresentou dados atualizados de monitoramento meteorológico e hidrológico. Ele ressaltou que o Amazonas conta com um sistema estruturado de alertas e acompanhamento permanente.

Em Boca do Acre, 26.460 pessoas foram afetadas. A cota prevista para 2026 é de 19,56 metros, abaixo da máxima histórica de 21,04 metros, registrada em 1996.

Em Eirunepé, 8.045 pessoas foram impactadas. O nível do rio está em 16,89 metros, próximo da máxima histórica de 17,32 metros, registrada em 2021. O acompanhamento contínuo permite organizar ações de prevenção e resposta de forma coordenada.

Foto: Ayrton Lopes

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