Codese: um conselho empresarial ou um novo grupo político que se forma no Amazonas?

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) abrigou ontem a 4ª Plenária Ordinária do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus (Codese Manaus). A entidade, de caráter privado, nasceu em 2016, em pleno processo eleitoral,e ganhou maior visibilidade nos últimos meses, especialmente depois que o coronel reformado do Exército Alfredo Menezes Junior assumiu o protagonismo da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e depois da eleição tomou posse na autarquia. Hoje, especula-se que dali sairá um candidato a prefeito de Manaus.

No ano passado, o PSL chegou a cogitar lançar um dos expoentes do Codese, o empresário da construção civil Romero Brito, coronel reformado da Aeronáutica, como candidato a governador. Ele recuou na última hora e o partido acabou apoiando a reeleição de Amazonino Mendes (PDT).
No site da entidade, é informado que o Codese Manaus surgiu baseado em experiências semelhantes de cidade como Maringá, Uberlândia, Brasília e Goiânia, todas elas inspiradas no projeto “O Futuro da Minha Cidade (FMC)”, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Atualmente a entidade é comandada em Manaus pelo empresário Antônio Azevedo, que assim como o pai, o comendador José Azevedo, falecido no ano passado, não tem muito pendor para a política. Brito, entretanto, é o vice-presidente e se movimenta nos bastidores com muita desenvoltura, surgindo sempre como um nome lembrado para disputar um cargo eletivo, assim como o próprio Menezes, que passou a ser citado depois que deu muita visibilidade à função de superintendente da SUFRAMA.
“Percebemos a cada plenária, que é trimestral, uma participação cada vez maior da sociedade civil, representada pelas entidades. E, naturalmente, cada entidade tem uma representatividade importante na sociedade. Vivemos um momento muito decisivo e histórico na nossa região e o Codese é um movimento, um contraponto para buscarmos, nós, amazônidas ou que adotamos essa terra como nossa residência, uma saída complementar ao que estamos vivenciando no País de um modo geral”, disse ontem, na abertura da reunião, o próprio Azevedo, sinalizando claramente a intenção política do movimento.
“Eu recebi uma indicação do presidente para ser superintendente da SUFRAMA, tive uma primeira entrevista com o ministro Paulo Guedes, mas a minha última entrevista, na qual foi validada a confirmação do meu nome, foi com o meu chefe hoje, Carlos da Costa. Em determinado momento ele me perguntou quais as soluções que eu teria para a região e eu falei do Codese”, contou Menezes. “Estamos alinhados na construção de uma cidade melhor, de um Estado melhor e de uma região melhor para o nosso País”, emendou, também na linha bem política.
O deputado Capitão Alberto Neto (PRB) participou do encontro de ontem. Ele tem procurado se aproximar de movimento de direita, como é hoje o Codese Manaus. “Sabemos para onde queremos ir, sabemos que nosso modelo da Zona Franca de Manaus é eficiente. Foi, inclusive, provado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas, por meio de estudo. Então, estamos trabalhando muito bem, mas isso tem um prazo para acabar e a pergunta que fica é o que vamos fazer quando esse período acabar, que caminhos iremos trilhar para chegar daqui a 50 anos com um Amazonas diferente e sustentável na sua vocação e o Codese vem justamente para tentar responder essas questões”, diz ele, apontando os rumos do movimento.
FOCO
O Codese tem Câmara Setoriais – planejamento urbano, educação, tecnologia e inovação, atração de investimentos e ambiente de negócios, segmentos econômicos relevantes e cenários futuros econômicos. Dentre os assuntos apresentados nelas estão a meta de tornar Manaus uma das 10 melhores cidades para se viver no Brasil.
Em outubro, um ano antes da eleição municipal, o Conselho vai realizar a 2ª Feira do Polo Digital, projeto de fortalecimento de programas de pós-graduação na área de tecnologia e inovação; e levantamento do ambiente educacional.
As metas do Codese até 2023 são de inserir Manaus entre as 50 melhores cidades brasileiras para se investir em negócios e promover a cultura do empreendedorismo, atingindo 200 mil pessoas. Também foram colocadas metas de trabalhar no fortalecimento do Polo Industrial de Manaus (PIM) e da SUFRAMA, por meio da retomada das reuniões ordinárias do Conselho de Administração, destravamento dos Processos Produtivos Básicos (PPBs), direcionamento das verbas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e revitalização do sistema viário, além de criar nichos de mercado complementares nas áreas de turismo, piscicultura, mineração, bioeconomia e economia digital.
Oficialmente, os conselheiros refutam a intenção de interferir politicamente, afirmando que o Codese Manaus é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, com o objetivo de mobilizar a sociedade civil organizada para desenvolver um planejamento estratégico para a cidade de Manaus com horizonte até 2038. Nos bastidores, entretanto, a atividade política é intensa.
Ninguém se surpreenda se sair do Codese um candidato a prefeito de Manaus.

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