CATEQUESE NA VEIA (Parte 5)

Nesse quinto artigo de uma série de seis, continuo a abordar sobre o emprego, uso, alteração, acréscimos de palavras e até de frases de modo indevido em orações e músicas católicas.

Orações ou letras de músicas não se mudam, principalmente, para torná-las mais palatáveis ou atender a um capricho do fiel.

Lembre-se sempre que quem as escreveu foi por inspiração Divina atendendo a um propósito ou para ajudar no nosso processo de crescimento na fé ou no exercício diário das devoções.

Seguem então mais alguns erros que costumeiramente alguns ainda cometem ora por falta de catequese ora por desconhecimento do termo correto:

DIGNÍSSIMO ou DIVINÍSSIMO Sacramento? 

Muitos falam Digníssimo na hora da oração: “Graças e louvores sejam dadas a todo momento….” quando a única forma de tratamento para se dirigir a Jesus nesta oração ou diante da Hóstia Consagrada é DIVINÍSSIMO, dada à condição Divina do Filho de Deus.

SENHOR ou SENHORA é convosco?

Muito comum é ouvir alguns católicos dizerem durante a oração: Ave Maria cheia de graça SENHORA é convosco, ao invés de “o SENHOR é convosco”.

Faltam leitura da oração, treino, catequese e ensinamento, o que deve ser feito porém, com muito cuidado, posto que esses irmãos e irmãs reproduzem por anos a fio a oração errada achando que estão falando corretamente.

Ensinemos, pois, reservadamente, a quem recita errado e estaremos ajudando a orarem da forma correta.

Lembremos, entretanto, que de uma forma ou de outra, Nossa Mãezinha do Céu compreende e aceita com seu imenso amor por nós.

Que estais NOS CÉUS ou no CÉU?

Alguns haverão de relativizar dizendo logo que tanto faz. Não é bem assim!

A oração do Pai Nosso, uma das mais sublimes e universais e que foi ensinada diretamente por Jesus a pedido dos próprios apóstolos e chegou até nós, está lá nos evangelhos de São Mateus (6, 9-13) e São Lucas (11,2-4), logo, é uma oração bíblica que jamais poderá ser alterada.

Em São Mateus a oração do Pai Nosso está posta de modo completo e em São Lucas há a supressão da parte primeira da oração.

E em São Mateus está escrito assim: “Pai Nosso que estais NOS CÉUS….”
Apenas na segunda frase do Pai Nosso em São Mateus é que Jesus fala: “…..como no CÉU.

Mas então, qual a diferença entre CÉUS e CÉU?

CÉUS no plural quer dizer entre outras coisas que existe muito mais do que aquilo que possamos ver ou compreender, pois a dimensão de Deus ultrapassa nosso entendimento. Ou seja, CÉUS vai muito além de lugar ou espaço físico.

Por exemplo em João 14, 2 Jesus diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas (muitos CÉUS). Notemos que a palavra CÉU está posta junto com TERRA na segunda parte do Pai Nosso.

Estas palavras exprimem que a vontade de Deus seja feita no CÉU (morada dos justos) e na TERRA (habitação dos pecadores).

CÉU pode ainda se referir ao ato de Deus na criação lá no livro do Gênesis: “…e Deus criou o CÉU e a terra….”.

RECEBA Ó Senhor ou RECEBA O Senhor?

No início da Oração Eucarística após a preparação do Altar quando o celebrante pronuncia:”Orai irmãos e irmãs para que o meu e o vosso sacrifício seja aceito por Deus Pai Todo Poderoso”, é muito comum ouvirmos alguns fiéis responderem: “Receba Ó Senhor por tuas mãos este sacrifício…

A expressão correta é: “Receba O Senhor por tuas este sacrifício…

Ou seja, Ó e O têm sentidos diametralmente opostos gramática e teologicamente falando posto que o Senhor(Deus Pai) é quem recebe pelas mãos do celebrante e dos fieis o sacrifício do seu amado Filho na hora da Consagração das espécies.

Portanto, esta oração é um ato de entrega/disponibilidade e não de invocação de Deus Pai.

Na conhecida Jaculatória de Fátima(um clamor de misericórdia pelas almas e um apelo à salvação eterna) ensinada por Nossa Senhora aos Pastorinhos, alguns desavisados começaram a acrescentar termos e até frases inteiras que Nossa Senhora jamais pronunciou ou ensinou.

E tome-lhe a dizer: “Ó meu BOM Jesus perdoai-me, livrar-me….”(como se Jesus seja ou tivesse sido MAU alguma vez).

Há ainda uns abençoados que incluem bençãos para o Papa, para o clero, para o bispo, para o arcebispo, para as famílias e até para as comunidades, nas invocações. Credo!

Apesar dessa oração, em latim, incluir a palavra misericórdia no final, a única forma correta da Jaculatória de Nossa Senhora em Fátima é: “Ó MEU JESUS PERDOAI-ME, LIVRAI-ME DO FOGO DO INFERNO, LEVAI AS ALMAS TODAS PARA O CÉU E SOCORREI PRINCIPALMENTE AS QUE MAIS PRECISAREM”. E ponto final!

Até semana que vem com o último artigo desta série, quando falarei sobre alguns exercícios piedosos que nos ajudam no dia a dia de filhos e filhas de Deus e gestos e comportamentos impróprios ou proibidos que muitas vezes cometemos enquanto católicos e que muitos relativizam ou negligenciam.

Té logo!

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