Batendo na mesma tecla 

Sempre duvidei  do poder das facções criminosas notadamente daquelas envolvidas com o tráfico de drogas.

Mas, minha dúvida, se concentrava apenas no fato de que o crime organizado e suas falanges estaduais, jamais teriam a petulância de entrar no âmago dos governos.

Ledo engano!

O poder financeiro do crime organizado sustentado principalmente pelo tráfico de drogas que antes apenas dominava alguns presídios estaduais, já penetrou no coração do sistema de segurança e chega agora muito, mais muito próximo do poder executivo e do judiciário.

Nem falo do poder que essas gangues já exercem sobre alguns parlamentos municipais posto que muitos vereadores em algumas cidades dominadas pelo tráfico, foram eleitos com ajuda financeira e logística do narcotráfico.

Alcançar o poder legislativo estadual em alguns estados e eleger deputados federais e senadores, se já não for uma realidade palpável, está muito próximo de ser comemorado.

A receptividade que o Ministério da Justiça até então comandado pelo agora indicado e eleito para o Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, escancarou os limites do imponderável e, o narco poder, penetra no íntimo do governo federal.

Sentenças determinadas por juízes estaduais e o mesmo procedimento de concessão de benefícios a traficantes de alta periculosidade pelas cortes superiores viraram quase um mantra.

O que a máfia italiana mais tradicional e os poderosos cartéis do tráfico de drogas no México, na Colômbia e no Peru fez e fazem de subtração da lei e da ordem impondo um regime do poder da droga, já chega ao nosso país, mina o poder de polícia e contamina os poderes judicias e legislativos em boa parte do Brasil.

Encontrar culpados para esse descalabro que trás insegurança, terror e violência para as ruas, lares e instituições não é tarefa difícil.

A leniência dos governos, a frouxidão das leis e o medo dos componentes dos ministérios públicos e do judiciário em todas as instâncias, criam um ambiente mais que propício para alimentar essa escalada de verdadeira tragédia social.

Já há estados em que existem mais jovens cooptados e empregados pelo tráfico de drogas do que pela indústria e pelo comércio locais.

A falência do estado e das famílias em cuidar melhor, preparar melhor e educar melhor os jovens, é visto com uma batalha perdida em muitas cidades brasileiras.

Ante esse cenário pavoroso, viceja entre a sociedade, um clima de pavor, de incredulidade e de desânimo posto que o estado brasileiro torna-se cada vez mais refém das gangues, das milícias e do crime organizado que a cada dia avançam por sobre o tecido social dominado ao seu modo os costumes e impondo suas regras que definem o ir e vir e a livre iniciativa dos comunitários.

Não quero ser catastrofista a ponto de não vislumbrar uma saída porém, a cada dia que passa o poder das drogas se sobrepõe ao poder do estado invadindo as competências deste e impondo a lei que mais lhes convém.

Oxalá as autoridades constituídas abram os olhos, unam-se numa luta sem tréguas contra o crime organizado e voltem a dominar por meio da lei e da ordem, o cenário social e politico que tragam tranquilidade ao povo brasileiro.

Té logo!

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