A pouco mais de três meses do momento mais decisivo para as eleições gerais de 2026 – a data limite para quem pretende disputar algum cargo renunciar ao que ocupa atualmente – o grupo liderado pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), está mais coeso do que nunca. Prova disso ocorreu ontem durante o “Encontro de Prefeitas e Prefeitos da Região Norte em busca de justiça fiscal no financiamento público”, iniciativa da Prefeitura de Manaus, em parceria com a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), que reuniu gestores municipais e lideranças políticas do Norte. Ele mostrou um discurso extremamente ajustado ao de seu vice-prefeito, Renato Junior, e ao do vice-governador, Tadeu de Souza, ambos seus correligionários.
O movimento mais aguardado pelo meio político é a decisão do governador Wilson Lima (União), que dirá, no dia 6 de abril, se renunciará para concorrer ao Senado ou se permanecerá no cargo para tentar fazer o sucessor. O grupo do Avante trabalha com a primeira alternativa como a mais provável. Por isso recuou das críticas ao Governo e passou a aceitar a ideia de uma reaproximação, a ponto de Tadeu declarar em entrevista ontem que tem alinhamento total com o chefe do Executivo Estadual, elogiando e defendendo a sua gestão.
Os dois grupos têm recuado de enfrentamentos tanto em nível governamental quanto nas Casas Legislativas. Wilson almoço na última quarta-feira com boa parte da bancada que apoia o prefeito na Câmara Municipal de Manaus. Já David tem conversado mais com aliados do Governo. Ontem, por exemplo, dois prefeitos do partido de Wilson estavam no evento municipalista realizado no Novotel Manaus.
Aliás, durante o encontro David e Tadeu deram mais uma amostra do afinamento nos discursos.
“Nós precisamos enfrentar o desafio da falta de equidade no financiamento municipal. É muito diferente administrar uma cidade compacta, inserida em uma região metropolitana consolidada, e governar um território continental como Manaus, onde é preciso levar escola, saúde, energia, internet e alimentação a comunidades acessadas por rios, dentro da floresta. Essa complexidade não é considerada no atual modelo de repartição dos recursos”, afirmou David Almeida.
Ao reforçar a legitimidade do debate a partir do olhar regional, o vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, destacou que o custo amazônico é estrutural, não circunstancial, e que o desenho atual impõe desigualdade na execução de políticas públicas.
“É sobre justiça fiscal e sobre o custo de fazer serviço público numa área continental e logisticamente distante dos centros de decisão do país”, afirmou o vice-governador Tadeu de Souza.
Além de aguardar a posição a ser tomada por Wilson, David e Tadeu, se tiverem certeza de que acontecerá a renúncia, terão que decidir entre eles quem disputará o Governo. E essa decisão deverá ser tomada no mesmo dia 6 de abril, porque se o candidato for o prefeito de Manaus este terá que renunciar ao restante do mandato.
É cada vez mais remota a possibilidade de um “racha” no grupo e bastante improvável David e Tadeu serem candidatos um contra o outro.
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