Por Ricardo Gomes*
Respeitando opiniões divergentes, há tempos me soa exagerado e muito inconsequente, simplificar (demais) a posse de armas ao cidadão comum, por que essa não é, nem de longe, a maneira adequada de “resolver/minimizar” o problema da segurança pública, é sim, uma medida midiática, que, numa ponta, viabiliza um risco enorme à ampliação da violência doméstica, que já é enorme, e, noutro ponto, com certeza não reduzirá as estatísticas de crimes por uso de armas de fogo, talvez acelere a fila de doação de Orgãos.
Penso que medidas de curtíssimo prazo, com viés de “milagre”, nem de longe, muda a questão da (IN) Segurança Pública, e, ao contrário disso, me soa como um atestado definitivo de incompetência do Estado de pensar e planejar medidas de médio e longo prazo, de repensar a Legislação vigente, principalmente a Penal, o Sistema Prisional, e, o principal: de formular políticas públicas verdadeiras, simples, baseadas nos melhores modelos mundiais, para que, em 10 ou 20 anos, pela Educacão, desde a base, e, pelo fim da impunidade, principalmente dos Criminosos de Colarinho Branco, que matam milhões, com canetas e não com armas de fogo, tenhamos reconstruído mentes e mentalidades Brasil à fora.
Me pus à observar, por exemplo, China e Índia, países com 6 vezes mais habitantes que o nosso país, já pensaram posse de arma liberadas em todas as casas ?
Voltando para nossa terra, reflita sobre um problema que há décadas só cresce no País: Violência doméstica, vejam os números de abusos contra menores, a esmagadora maioria é, comprovadamente, em casa, ou no seio familiar; vejam a escalada da feminilidade, da violência contra idosos, agora imagine que nesses lares desajustados poderá haver uma ou mais armas de fogo ?
Imagine uma desavença de vizinhos, por conta de uma briga de crianças … Agora amplie a visão: coloquei uma arma em cada uma dessas casas ?
Penso que essas medidas midiáticas e inconsequentes não vão reduzir a violência e só faraó ampliar as estatísticas de ferimento e óbito por armas de fogo, e a fila de transplante de órgãos.
Precisamos evoluir muito como Sociedade Organizada e isso passa necessariamente pela tranquilidade do Cidadão exercer o seu direito de ir e vir, no seu dia a dia, em segurança, mas, duvido 100%, que para isso, descredenciar os órgãos da segurança do pleno exercício de suas atividades e repassar à cada casa do país uma auto-critico é inconsequente demais .
Não acho minimamente razoável que nossas crianças cresçam vendo armas de fogo como um objeto comum em seus lares, tal qual uma geladeira, por que definitivamente não é.
Pretendo ver minha filha fazendo cursos bem mais úteis do que tiro, e, no máximo, me sentiria feliz e realizado vendo-a mirar e disparar … Uma máquina fotográfica.
A queda das Ações das forjas que produzem armas no Brasil e o aumento do dólar, logo após o anúncio da publicação do Decreto que banaliza a posse (que obviamente vai virar PORTE) de armas no Brasil, na visão das melhores cabeças pensantes do mundo, corrente à qual me filio), deu o tom exato, do quanto a medida sensacionalista e inconsequente, nos reduz enquanto Nação Organizada, e nos dá um Atestado de plena incapacidade de resolvermos racionalmente nossos problemas de Organização da (IN) Segurança Pública.
Definitivamente me dá sensação de que o Governo, incapaz de organizar a (IN) Segurança, que é, sem dúvida alguma, um problema gigante, se apequenou, e, portou-se como marido (ou esposa), traído no sofá da sala, que, incapaz de resolver o problema de forma total é definitiva, vende o sofá.
“Vendemos o sofá”, assumindo que nem as polícias, nem as Forças de Segurança, são capazes de enfrentar e vencer o Crime, que realmente está bem mais organizado e melhor armado, e, por isso, quem quiser que compre suas armas e se vire para garantir sua própria segurança .
Ficam a pergunta:
Não seria melhor extinguir de vez as polícias e assumir que estão fomentando o enfrentamento direto ?
Definitivamente esse não é o melhor caminho para uma Sociedade Civilizada, como se diz em alguns jogos de tabuleiro: voltamos umas 3 casas.
*O autor é advogado, professor universitário e consultor
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Este post tem um comentário
E bandido armado e população desarmada é e continua sendo a solução. O cidadão de bem precisa proteger seus bens e sua família. Hoje muitos falam contra porque moram em condomínios residenciais com segurança, mais os demais cidadãos não tem esta opção e vive enjaulado em sua própria residência.