Depois que o grupo político que comanda o Estado lançou, na última segunda feira de março, a pré-candidatura do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), à Prefeitura de Manaus, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal da capital (CMM), alinhados com o parlamentar e com o deputado federal Amon Mandel (Cidadania), outro pré-candidato, decidiu por partido para o confronto com o atual prefeito, David Almeida (Avante). No primeiro dia de abril, eles abriram as portas para professores protestarem contra o reajuste salarial concedido à categoria e o presidente Caio André (Podemos) colocou a assinatura que faltava no documento que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o suposto pagamento em dinheiro a um dono de site nas dependências da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom).
A construção de uma maioria de oposição começou ainda em dezembro de 2022, quando o governador Wilson Lima (União Brasil) apoiou a formação de uma chapa encabeçada por seu aliado Caio André, para disputar a presidência da CMM, poucos dias depois de conseguir a reeleição apoiado por Almeida. O time formado por eles acabou derrotando o grupo alinhado ao prefeito. Já no segundo semestre do ano passado o mesmo grupo barrou um empréstimo de R$ 600 milhões, que a Prefeitura pretendia contrair junto ao Banco do Brasil, logo depois que a ALEAM permtiu que o Governo do Estado tomasse emprestados R$ 2,2 bilhões junto ao Banco Mundial.
Mas foi a partir da confirmação de que Cidade seria pré-candidato a prefeito que a briga se acirrou. Ao colocar sua assinatura no pedido de instalação da CPI Caio André praticamente declara guerra ao prefeito. Isso porque cabe a ele o ritmo de tramitação da proposta. E como ele mesmo a chancelou, a tendência é de que os trâmites sejam rápidos.
Se a proposta avançar, será a primeira vez que a CMM instala uma CPI em ano eleitoral. “O problema é que você sabe como começa, mas não como termina. É um desdobramento imprevisível, que vai redundar numa ebulição na Casa”, diz um experiente funcionário do Parlamento Municipal, que acompanha os humores do local há pelo menos 35 anos. “Neste tempo todo nunca vi uma situação tão delicada quanto esta”, acrescenta.
Até a semana passada a CMM se dividia praticamente ao meio, com 21 vereadores na oposição (incluindo o presidente) e 20 na situação. Com a cassação do vereador Antonio Peixoto (Agir), a expectativa é por saber como se comportará o suplente Isaac Tayah (DC), ex-presidente da Casa, que deve assumir hoje o mandato. Entre os opositores, a maioria – 17 – se alinha a Roberto Cidade. Dois apoiarão a candidatura de Amon Mandes e outros dois serão aliados do deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos).
A tendência é que nos próximos dias os debates, que já estão mais acalorados, fiquem ainda mais quentes a partir de agora.
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