Aprender a solicitar uma corrida de aplicativo e fazer chamadas de vídeo são alguns dos objetivos de Maria do Rosário, de 69 anos, que participou, nesta quarta-feira (19/8), da primeira aula da nova turma do curso “Defensor Digital 60+”. A iniciativa é uma realização da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) em parceria com a Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI).
Ao todo, 40 pessoas idosas estiveram presentes na aula inaugural, que trouxe temas como o etarismo, o medo de experimentar novas tecnologias e a importância de estar informado em uma sociedade cada vez mais digital. A atividade aconteceu na sede da FUnATI, na avenida Brasil, nº 11.430, zona oeste de Manaus, com coordenação do Núcleo de Atendimento, Proteção e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (Nuappi).
Para dona Maria do Rosário, a vontade de aprender a usar o aplicativo de transporte ganhou força depois de uma situação de violência que viveu enquanto caminhava sozinha. Desde então, a idosa passou a evitar sair com o celular e chegou a carregar apenas uma cópia do documento. Foi então que as filhas recomendaram a ferramenta como uma possibilidade de ela se deslocar com mais segurança e independência.
“Eu tenho vontade de pegar o Uber. Eu nunca me interessei, mas as minhas filhas já me indicaram a usar, porque recentemente eu fui pega de surpresa por um ladrão, pois estava andando sozinha. Aí as minhas filhas disseram que eu preciso aprender, que é fácil”, contou.
Para ela, a primeira aula já mostrou que o “Defensor Digital 60+” pode ajudar a realizar atividades que antes pareciam difíceis.
“Como eu gosto de conversar com a minha cunhada, que mora em Fortaleza, eu quero fazer aquela chamada de vídeo com ela. A aula foi ótima! Eu estou amando, porque vou aprender um monte de coisa nova”, comentou, entusiasmada.
Alcance da proteção no ambiente digital
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar do avanço da digitalização, as pessoas com 60 anos ou mais ainda são maioria entre os 20 milhões de brasileiros que não acessam a internet. Entre a população idosa, 66% afirmaram não saber usar a tecnologia, segundo o levantamento.
Foi justamente a partir do aprendizado adquirido no curso que Franklin de Souza, de 66 anos, conseguiu reconhecer uma situação de risco no ambiente digital. Ex-aluno da turma do primeiro semestre de 2026, Franklin retornou nesta manhã para compartilhar o que conseguiu botar em prática a partir das aulas.
Ele comentou que quase caiu em um golpe virtual, mas lembrou das orientações recebidas e decidiu fazer uso da Inteligência Artificial (IA) para verificar as informações antes de acreditar na mensagem.
“É muito importante que a gente se sinta mais seguro. Por exemplo, eu ia cair nesse golpe, já tinha caído. Aí eu me lembrei do curso e pensei que não era bem assim. Tudo que tem na internet, a gente tem que desconfiar, tudo, absolutamente tudo”, relatou.
O defensor público e coordenador do Nuappi, Marcelo Pinheiro, pontuou que a proposta da formação vai além de ensinar sobre o ambiente virtual; o curso é para que a pessoa idosa garanta a sua autonomia.
“Um dos pontos mais importantes do curso do ‘Defensor Digital 60+’ é justamente levar esse ensinamento sobre as novas tecnologias para que a pessoa idosa possa manuseá-las de forma efetiva nas próprias vidas. Também queremos que elas não apenas saibam usar em benefício próprio, mas que também possam, a partir do seu próprio empoderamento, levar para as comunidades em que residem e ajudar outras pessoas idosas a manusear essas tecnologias”, explicou o defensor.
Como um retrato positivo da parceria de longa data entre as instituições, o reitor da FUnATI, Euler Ribeiro, destacou a importância da união para ampliar a segurança do público 60+ diante das constantes mudanças tecnológicas.
“A parceria entre FUnATI e Defensoria é uma coisa muito significativa para a sociedade. A FUnATI está de braços abertos para a Defensoria, para a gente continuar. Nós já estamos na terceira turma do ‘Defensor Digital 60+’, preparando essas pessoas para que elas possam aprender a se defender usando a nova tecnologia”, ressaltou.
Sobre Defensor Digital 60+
Lançada em 2023, a iniciativa do Núcleo de Atendimento, Proteção e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (Nuappi) busca promover a autonomia e cidadania digital entre pessoas idosas, para que elas possam utilizar a tecnologia no cotidiano com mais segurança na internet, por meio da educação em direitos.
O curso tem 60 horas de duração, divididas em 14 aulas realizadas às quartas-feiras, das 8h às 11h, com o encerramento da nova turma previsto para dezembro. A programação reúne conteúdos sobre linguagem digital, acessibilidade, segurança na internet, prevenção de golpes, desinformação, IA e uso consciente das ferramentas digitais.
Foto: Marcus Bessa
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