Amazonas Energia ataca duramente o Tropical Hotel, mas não paga as próprias dívidas

A Amazonas Energia anunciou ontem e confirmou hoje que cortou mesmo o fornecimento ao Tropical Hotel Manaus, um dos símbolos do turismo local. A dívida é grande – cerca de R$ 20 milhões – e foi acumulada ao longo dos últimos 20 anos. Neste período, várias negociações ocorreram. Alguns desligamentos ocorreram, revertidos na Justiça, mas agora, privatizada, a concessionária adota com a empresa hoteleira a mesma tática que vem adotando com os demais consumidores: o arrocho e o corte sem avaliar nenhum outro viés que não seja o financeiro.

É a regra do capitalismo, claro. Mas o mesmo que faz com os consumidores, a Amazonas Energia não faz com seus credores. O grupo Atem/Oliveira, que assumiu o controle da empresa, tem ignorado as suas próprias dívidas. Só com o Governo do Estado do Amazonas ela chega a mais de R$ 1 bilhão em impostos e até agora ninguém da direção procurou a Secretaria da Fazenda para encaminhar uma negociação.

A última negociação com o Tropical Hotel ocorreu em abril deste ano, após a privatização, quando a Amazonas Energia ofereceu desconto de 60% sobre o valor de uma dívida, mas exigiu o pagamento de R$ 8 milhões, o que não ocorreu. Desde 2018 foram realizados três cortes por falta de pagamento, mas a empresa conseguiu na Justiça o religamento.

“Reforçamos que todo o procedimento realizado foi feito de forma legítima, obedecendo às regras contidas na Resolução 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) – (art. 172), que autoriza a suspensão no fornecimento de energia para todas Distribuidoras de Energia do país, em caso de inadimplemento”, diz a Amazonas Energia, em nota distribuída hoje à imprensa.

O Tropical Hotel tem enfrentado problemas de gestão desde que o grupo Varig, que o construiu, entrou em decadência, na década de 90. Atualmente a empresa tenta sobreviver enfrentando uma concorrência mais moderna e muito maior. O glamour dos primórdios não existe mais. Ainda assim, vários eventos são realizados em seus salões, que ainda atraem parte da sociedade manauara. Sem o fornecimento de energia, funciona apenas com seu próprio gerador neste momento.

O estabelecimento é um símbolo da Zona Franca de Manaus. Surgiu e cresceu com o modelo de desenvolvimento local. Tem uma estrutura enorme e uma arquitetura marcante. Pode-se dizer que trata-se de uma joia da hotelaria brasileira.

A Amazonas Energia, ao que tudo indica, parece querer transformar o Topical Hotel em um símbolo de sua nova e implacável fase.

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