Ainda há juízes em Berlim?

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Pior do que conviver com um vírus mortal e com uma pandemia avassaladora, é aceitarmos as manifestações antidemocráticas e inconstitucionais de parte de membros da mais alta instituição de justiça do país às vezes também conhecida como “corte constitucional”.

Culpados por essa verdadeira aberração e esse indefectível aleijume nacional, somos nós mesmos cidadãos de bem, pagadores de impostos e cumpridores das leis porém, incapazes das reações as mais legítimas e necessárias.

Pacífica e contemplativamente nos acostumamos a assistir a esse circo de horrores protagonizados por senhores e senhoras assentados em amplas e confortáveis poltronas do Olimpo judicial brasileiro e que sequer ruborizam de vergonha.

Quem tem poder sobre o STF? Quem julga o STF? Quem será capaz de se contrapor aos erros e decisões exdrúxulas dessa corte?

Nosso STF ao tempo em que julga, decide e condena, também legisla, abre inquérito e investiga vergastando as atribuições dos demais poderes e até dos órgãos fiscalizadores da lei.

Seus ministros não têm medo de ninguém nem de nada!

Seus membros estão nem aí para a opinião pública!

Agem de modo indolente e inconsequente porque insensíveis aos desdobramentos mais adiante.

Eles não estão nem um pouco preocupados em perder o emprego e seguidamente extrapolam os limites da lei e das suas atribuições.
Triste de um país que perder a confiança na sua justiça!

Pobre de uma nação que não souber a quem recorrer em busca de julgamentos justos!

Infeliz de um povo que não sentir vergonha dos seus juízes medíocres!
Que os repetidos e maus exemplos da mais alta corte de justiça do nosso país não contamine as instâncias intermediárias e comuns a ponto de se criar e sustentar um sistema judicial acima do bem e do mal cujos membros sintam-se inalcançáveis pelo regramento disciplinar e insensíveis aos clamores da sociedade.

A Constituição Federal está acima de mim e de cada cidadão brasileiro mas, dormita inútil, amassada e rasgada, debaixo dos traseiros de parte dos onze supremos.

O que o STF está fazendo é reduzir a pó a Carta Magna por meio de um malabarismo constitucional jamais presenciado antes. É muita deslealdade para com nossa constituição!

Se insistir nessa tecla estará submetendo e expondo o país ao mais vexaminoso ridículo interno e internacional.

Registro, por oportuno, que escrevo esse artigo ainda no sábado dia 05.12, quando até aqui, oito ministros já votaram sendo cinco a favor da recondução do presidente do Senado e quatro a favor do presidente da Câmara e apenas três contrários às reeleições de ambos.

Votar a favor contraria frontalmente o dispositivo regimental das casas legislativas e a própria Constituição da República.

Ainda há tempo de corrigir essas aberrações.
Pensem nisso senhores supremos!

Meditemos sobre isso cidadãos brasileiros!

Torço para que nosso Supremo Tribunal Federal seja composto por alguns juízes como os de Berlim.

Té logo!

ET. O título desse artigo se refere ao conto O moleiro de Sains-Souci de François Andrieux.

Passado no século XVIII, a narrativa dá conta de que Frederico II, rei da Prússia, decidiu ampliar os limites do palácio real de verão fincado numa bela região montanhosa próxima a Berlim.

Lá, entretanto, na área desejada, existia uma pequena propriedade pertencente a uma geração familiar antiga cujo moinho de vento era o ícone a sustentá-la.

Diante da resistência do proprietário em se desfazer do seu patrimônio, o rei decidiu então ameaçar de confiscá-lo até mesmo sem indenização caso o dono não recuasse de permanecer no local.

Foi então que a tenacidade do moleiro prevaleceu retrucando ao rei que, se sua ameaça prosseguisse, recorreria à corte de justiça pois sabia que ainda existiam juízes em Berlim.

O rei então recuou, ampliou o palácio de verão porém, respeitou os limites da propriedade e esse moinho ainda hoje existe e no mesmo local.

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