A política do pão e circo

Uma crescente miséria, governos desacreditados, péssimos serviços públicos oferecidos à população, povo sem esperança no futuro e muita corrupção, são realidades sufocadas pela política do pão e circo, tão antiga, mas que é ainda, muito determinante no imenso estado do Amazonas.

Não… não… não é a história do Império Romano, em que os imperadores conseguiam acalmar a inquietação social e a fome da população com espetáculos de gladiadores e de animais ferozes nos coliseus e com a distribuição de cereais aos famintos para que os governantes fossem adorados e tivessem longos períodos de reinado, mas é sim, a política real nos dias atuais.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o Ministério da Cidadania divulgaram no último mês de fevereiro, por exemplo, uma triste constatação: 12 estados brasileiros têm mais pessoas recebendo o Auxílio Brasil do que trabalhadores com carteira assinada. O Amazonas é um desses estados, onde o auxílio estatal assegura o benefício a milhares de brasileiros, superando o número de pessoas com carteira assinada.

É de conhecimento público que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM, que define a qualidade de vida dos municípios nas áreas longevidade, da educação e renda, é uma vergonha na maioria das cidades do interior do Amazonas. As péssimas condições de vida elevam o estado e a região Amazônica, como territórios com extrema pobreza e com péssimos gestores.

No plano político, famílias e pequenos grupos de empresários controlam municípios há décadas, mesmo com contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas e inúmeros processos de improbidade administrativa no Poder Judiciário. Há muita impunidade, há muita riqueza desviada e falta transparência!

Com a pandemia da Covid-19, com as enchentes naturais e com o ano eleitoral, governantes começaram a entregar ranchos, cartões de benefícios financeiros, peixes, absorvente feminino e a contratar shows caros de artistas famosos sem qualquer licitação, uma união da comida com a festa.

Nada de resolução de problemas estruturais, como a produção de alimentos, a ampliação da saúde básica, falta de água tratada, a destinação correta do lixo, ausência de creches e o ordenamento do espaço urbano. Tais demandas não estão em primeiro plano. Sequer existe um plano de desenvolvimento econômico municipal.

A capital amazonense não fica distante do pão e circo. Já teve muita distribuição de rancho, de cartões e anúncios de que seria a cidade olímpica com a construção da Vila Olímpica; que estaria na condição da cidade do futebol com a realização da Copa do Mundo; e já andam falando que Manaus será esportiva com a realização da maratona de rua. Mas, a cidade continua sem um plano real para o presente e para o futuro.

É muito difícil romper com a política do pão e circo. O povo anda cabisbaixo, o custo de vida ficou mais caro, a dignidade não tem voz, a fome tem pressa, os músicos encantam e os poderosos ficam mais poderosos, mas quem sabe…toda essa situação pode se transformar em mudanças nas urnas… Talvez. Um dia o poderoso Império Romano também ruiu.

*Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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