“A gente não toca nada daqui”

Por Luis Cláudio Chaves*

Fenômeno interesante esse que ocorre em Manaus: nada que acontece na cidade, exceto o noticiário político local, parece despertar a atenção da mídia ou das pessoas. Vejamos o que aconteceu com o esporte local: quando fui atleta, até o fim dos anos 80 era comum as TVs e Jornais cobrirem as competições de Natação e Pólo Aquático e outros esportes. Os Jogos Escolares eram sucesso garantido de público, ainda lembro das piscinas lotadas para assistirem os confrontos do time de Pólo da Etfam com o Colégio Militar e depois La Salle.

Antes joguei pelo Colégio Dom Bosco a final de 1986 e decidi ali que no ano seguinte iria pra Escola Técnica só pra poder jogar para aquela torcida. As competições de natação eram igualmente uma festa, sucesso de público, a rivalidade entre Nacional e Olímpico foi marcante nesse período. Todas essas competições estão aí só não possuem mais é a mesma visibilidade.

Penso que essa ausência do esporte local na mídia e na sociedade em geral se deve a mais completa ausência de política esportiva no estado e município e a parte mais visível disso foram as secretarias de esportes usadas como cabides de emprego e descompromissadas com o desporto.

O ocorrido com o esporte seja amador ou profissional é apenas a consequência da falta de interesse pelo que ocorre na cidade mas temos exemplo disso com o parrimônio cultural é só ver os prédios abandonados do centro da cidade.

O abandono segue: agora chegou a vez dos meios de comunicação deixarem de produzir programação local para retransmitirem as programações das rádios do Río e SP.

O interessante é que quando há dez anos atrás projetávamos o futuro pensávamos exatamente o oposto, ou seja, com o avanço da internet e da convergência digital só sobreviveriam os veículos que apresentassem conteúdo local. A realidade atual é o oposto disso. Outro dia ao passar em frente à rádio Novidade FM que fica perto de onde trabalho resolvi parar pra entregar un CD da Banda do Boulevard, ao me dirigir à recepção fui atendido por uma bela moça na casa dos vinte anos que nem esperou eu terminar de falar e foi logo me olhando com um misto de desprezo e pena, na verdade mais de desprezo mesmo e disse-me cheia de convicção: desculpe , mas não tocamos nada daqui.

O Governo e a Prefeitura deveriam desincentivar essa prática predatória não anunciando nesses veículos. Afinal, todos em maior ou menor grau dependem do poder público pra sobreviver.

*O autor é juiz de Direito e entusiasta do esporte

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Este post tem um comentário

  1. Amadeu

    Bom tempo aquele na época em que os jogos estudantis era altamente competitivo entre todas as escolas públicas estaduais e municipais escolas Federais e escolas particulares a participação da comunidade escolar era grande bons tempos aqueles que a gente via uma final no solon de Lucena, na escola técnica, no Colégio Estadual, lno Colégio Militar. Infelizmente hoje O esporte não tem a mesma prioridade que nós tivemos nos anos 80. É importante destacar que naquela época nós tinha uma matéria muito boa que era educação moral e cívica e ospb que foi banida dos alunos agora neste governo do PT.

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