O grande recomeço

Por Dauro Braga*

Fico imaginando como ficaria o mundo se todas as mães resolvessem abominar seus filhos deixando-os a mercê da própria sorte, não os protegendo nos momentos difíceis de suas vidas e ainda, assistindo impassíveis e acovardadas as investidas do inimigo contra sua prole, sem esboçar qualquer reação. Uma situação dessas é improvável, sendo apenas admissível como fruto da minha imaginação, não havendo a mínima possibilidade de se concretizar porque não há força capaz de destruir o amor maternal. Ele é construído e sedimentado no solo consistente do coração e a argamassa de seu alicerce é maturada durante os nove meses da gestação. Ainda bem, porque se assim não fosse, seria a negatividade da sublimação do mais puro amor e o princípio do fim de todos os sentimentos nobres.

A mesma relação afetiva deveria existir entre todos nós e a mãe pátria, para que espetáculos deprimentes como os que foram mostrados nos jornais televisivos onde aparecia um bando de vândalos  queimando em praça pública o pavilhão nacional e de um crápula rasgando a Constituição Brasileira dentro das dependências do Congresso Nacional , não passasse  apenas de uma péssima cena de ficção, fruto da mente doentia desses novelescos de mau gosto literato..

Nas escolas existentes no passado ainda recente, a disciplina Moral e Cívica transmitia ao alunado lições de civismo que consistiam no ensinamento  do culto ao patriotismo, do  respeito aos símbolos da pátria, da obrigatoriedade de cumprir com as Leis constituídas, e de lições comportamentais que orientavam o aprendiz de cidadão  a forma correta de como viver em equilíbrio na  sociedade , sabendo de seus direitos, mas conhecendo da mesma forma os seus deveres para com o seu semelhante e a mãe pátria. A falta desses ensinamentos básicos retirados irresponsavelmente da grade curricular, propiciou o surgimento de uma geração inteiramente desconectada dos valores morais e apática aos bons sentimentos de amor, ordem e respeito ao próximo e a sua mãe pátria. O cometimento desse imperdoável equívoco educacional foi o grande responsável pelo desaparecimento da frágil relação amorosa e abstrata que existia entre a pátria e seus filhos e da implosão do edifício do patriotismo onde eram abrigados os sentimentos do amor, do respeito, da ordem, da disciplina e até mesmo da fé.

Esse cataclisma social se materializou porque renegamos a segundo plano o culto ao civismo deixando de ensinar aos nossos filhos as regras da moral e cívica. Olvidamos o Hino Nacional e passamos a reverenciar a bandeira brasileira sòmente nos jogos de futebol da copa do mundo quando poderíamos fazê-lo em várias outras ocasiões festivas ; esquecemos de exercitar com total abnegação a disciplina; exigimos nossos direitos mas deixamos a visão se alongar dos nossos deveres; apagamos de nossa memória as grandes lições e os bons exemplos deixados por nossos antepassados. Cometemos todos esses delitos com medo de represálias por parte dos falsos brasileiros que achavam ser essas manifestações cívicas autênticas demonstrações de histerismo militar.

Desprovido dos sentimentos do orgulho e do amor a Pátria, o povo perdeu a sua capacidade de reação e foi se transformando  em objeto de fácil manobra .Tanto é assim que, assistiu inerte, com o olhar indiferente de um cego o passar da carruagem dos corruptos levando em seu bojo os recursos públicos surrupiados dos cofres da nação e por estranho que pareça, ainda surgiram muitos  que, desprovidos de qualquer constrangimento justificável,  aplaudiram de pé os maestros  canalhas que regeram a ópera do desgoverno quando tinham em suas mãos criminosas a batuta do poder.

Prevaleceu a máxima proferida por Abraham Lincoln. “ Pode-se enganar a todos por algum tempo, pode-se enganar alguns por todo tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo”. E em assim sendo, o povo despertou do estado catalítico em que se encontrava e resolveu fazer um novo recomeço.

 

*O autor é empresário (daurofbraga@hotmail.com)

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